segunda-feira, 12 de março de 2007

Dadaísmo

O dadaísta parou o que estava fazendo para se dedicar à escrita fortuita. Estava lavando a louça do almoço. Coisa banal, dessas que se fazem no meio da tarde de sol. Tomou um gole de café, ouviu bela música francesa, teve inspiração. Pensou, pensou em coisa boa e em coisa triste. (Algumas coisas boas são tristes, refletiu. Refletiu pouquinho, não quis prosseguir. Talvez estivesse errado.)

O dadaísta refletiu e lembrou que usa a palavra ‘talvez’ muitas vezes. Pensou: tenho que evitar, assim como uso vírgulas demais, assim como procrastino demais com essa vida, assim como me desorganizo demais.

Voltou ao seu objetivo, que era escrever sobre o nada: ‘dada’, corruptela de ‘nada’. Talvez corruptela, porque o dadaísta não tem memória boa o suficiente pra dizer que sim, com certeza corrpuptela.

Escreveu errado. Corruptela. Quis deixar o erro. Porque estava escrevendo sobre o nada. Porque o nada pode sempre virar alguma coisa, porque o nada pode ser complexo. Porque resolveu parar, e voltar ao sabão e espumas.

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