sexta-feira, 9 de março de 2007

O tubo

Podia ser qualquer outra coisa, mas era um tubo metálico. Um desses tubos em que se entra e se vive por um tempo.

Sobe, procura espaço, acomoda-se, olha pela janela, deixa as pessoas para trás. Concentra-se no que está ali dentro, ouve conversas, observa tipos. Abre um livro, passa duas linhas, interrompe, olha para frente. É observado, tenta retribuir um sorriso, desiste no primeiro segundo, abaixa a cabeça, guarda as folhas na sacola.

Ameaça comer uma fruta, ameaça um fone de ouvido. Muitas coisas. Prefere ouvir a massa, micromassa de desconhecidos à sua volta. Roupas coloridas, tons escuros, homens de terno, mulheres de saia jeans. Estudantes. Este aqui, mecânico, aquele ali, porteiro. Esta, desempregada, acolá, um ladrão.

Estação 1. Sobem, descem, saldo quase idêntico. Positivo, negativo, não importa. Pessoas. Crianças, mulher de noventa anos, estudantes, muitos estudantes. Narrativa rápida. Ajeita as coisas, procura a carteira, sete minutos, barulho de tubo, avança e pára. Abrem as portas, escadas, passos apressados. Pessoas se vão.

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