sexta-feira, 20 de julho de 2007

Fetiche

O homem, de terno grafite, bem alinhado, aparência jovem e despreocupada, sentou-se no banco da praça, onde fazia primavera, de flores amarelas, para tomar um sorvete. O sol era baixo. Não fazia frio, nem calor, fazia homem.

O homem, de terno grafite, bem alinhado, de mangas claras e riscas cor de grafite, leves, que só se via de perto, tomava sorvete, no movimento explícito. A língua, no gosto, que derretia, cremoso, no seu toque, quente, pornográfico. Não fazia sol, fazia homem de terno, que tocava o creme, que derretia, os lábios concentrados, a barba por fazer, o homem, despreocupado, sentado na praça de primavera, pornográfico e sexo. Ninguém o tocava.


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2 comentários:

gueko disse...

belíssimo ñ?!

"mas é um talento!!!"

Jean Souza disse...

obrigado senhor-meu-grande-amigo-tão-importante-na-minha-vida.