sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Foi feliz sem ser pobre [Da Série: Foi Feliz Para Sempre]

Ela não teve culpa, foi muito feliz, muito feliz mesmo, sabe? Dessas pessoas que acordam todo dia com um sorriso no rosto, independentemente do que aconteça? Então, ela era assim... Nunca passou fome, nunca sentiu frio, nunca nem teve doença grave ou preocupação com dívida de fim de mês. Ah, como era boa aquela vida! Ela conheceu o mundo inteiro, dormiu nos melhores hotéis, degustou as melhores bebidas, os melhores vinhos, os privilégios mais caros. Teve outros amigos ricos. Nem teve amigos falsos. Durante a adolescência, fez questão de ser uma boa aluna, perdeu a virgindade aos dezessete, quando finalmente achou que era a hora. Não teve pressa. Casou com um jovem chamado Alfredo, a quem todos chamavam de Fred. O marido tinha sobrenome importante, era de família poderosa, mas nem por isso era uma pessoa má. Ele também não teve culpa de ter nascido rico. Ah, como foram felizes! Ela não quis ter filhos e os pais não ligaram, porque seus dois irmãos, um mais velho e uma mais nova, trataram de lhes dar netos. Teve motorista particular, tocou piano em noites quentes, no pátio, à beira da piscina. Bebia água importada, doou dinheiro pra instituições de caridade. Vestiu-se bem, mergulhou no Mediterrâneo e no Caribe. E foi feliz para sempre.

3 comentários:

Vivian disse...

Li esse texto e depois fui olhar os outros textos e achei o Arrualdo. E gostei desse negócio de formas diferentes de "felizes para sempre". E aí achei que deveria compartilhar o sentimento de satisfação, rá!

Deu vontade de ler mais textinhos da série, ôu!

Um beijo em ti, meu caro!

Jean Souza disse...

ê!

obrigado!
mais felizes para sempre virão!

gueko disse...

pra ser feliz pra sempre tem mesmo q 'conhecer uma europa'!

: )