quinta-feira, 6 de setembro de 2007

O homem que conversava com o chapéu sobre o joelho, como se aquele fosse outro homem, seu interlocutor

Quando voltava para casa, hoje, logo à noitinha, avistei, no meio da praça, um homem que falava com o próprio chapéu, como se aquele fosse o interlocutor que, contestando-o em suas argumentações, promovia, ali no meio da gente, um acalorado debate, de coisas incoerentes ou não. Logo acima, perto do chafariz, uma pequena família passava o tempo, despreocupada, sem pressa, sem testas franzidas de aflição, destas que aparecem no meio da semana. Um homem, mulher e filha, a criança vestida de rosa.

Alguns passos, vejo um casal apaixonado que, como em cena de filme, dança sem música, como se não houvesse mundo ao redor. Mundo só de dois, abraçados como um só, entre as pessoas, no meio da praça, embaixo das copas escuras das árvores que enfeitam ali.

São de mercúrio as luzes que iluminam este lugar, outrora palco de histórias não tão banais. Hoje não há skatistas, imagino onde estão agora. Talvez em outros paços, talvez em suas casas, assistindo televisão. Em vez de rodinhas e sons de pranchas batendo no chão, vejo mais casais, logo à frente, onde estariam os skates, sentados, na borda da praça. Enamoram-se, beijam e fazem este lugar. À frente, um menino dança, outra dança, sozinho, consigo. Eles vivem. E alguns dias são felizes.

2 comentários:

Blaxxx disse...

°°°Felipe pensa em dançar em público com ou sem música.

Jean Souza disse...

O mais legal é que estas coisas eu realmente presenciei. Crônicas dessa nossa vida.

:)