quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Rio de Janeiro

São duas grandes esferas, dois estados de espírito, duas grandes cidades, uma, em constante festa, outra, em constante guerra. Alternando entre uma e outra, muitos humanos, passeando, cortando as linhas que as dividem e que, por vezes, chegam a fazer com que a cidade da festa seja ao mesmo tempo a cidade da guerra, fazendo desta cidade uma festa-caos, onde se vive, se sobrevive, se chora, se dança, se anda com medo e se fala com erre arrastado, o esse chiado.

São belas estas formas, mas tão belas estas formas, que mesmo as rotinas não impedem que se olhe pro mesmo canto, pra mesma montanha, as águas, um dia atrás do outro, sem que se cansem os olhos e se abram sorrisos agradecendo o que quer que seja, a deus, à natureza, ao acaso, pelas formas que aqui se formam, pelos sóis que aqui se nascem, que aqui se põem.

São sons e batuques e fanques, o charme que só aqui se vê, das mulheres de cabelos que voam e saias de cores vivas que bailam, de passos apressados e cheiros de perfumes que ficam quando passam, e misturam na brisa, na maresia, no sal, no sol, na calçada que ferve, nos contrastes de preto e branco de ondas, de praias, de rios de janeiro e outros.

São festas caóticas e caos e muito caos e medo e dores. E dinheiro, por que se briga, por que se mata, se fere, se corre, se esgota cada dia o homem nos ônibus, nas ruas, no escuro, nos becos, nas margens de toda esta cidade, como no resto do mundo. Aqui é o mundo, o pior dele. Subemprego, mãos estendidas nas ruas, esmolas, assaltos, furtos, polícias-ladrões e milícias, as drogas, as armas, guerrilhas e balas que se perdem em corpos, em nada alheios a tudo isso que passa.

E rápido, a vida nesta festa-caos. E porque, mesmo assim, a gente fica, como quem gosta da morte e do risco.


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4 comentários:

Blaxxx disse...

War in Rio (!?)
Tropa de Elite
Onibus 174
Candelária
Comandos
"Descomandos"
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°
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Blaxxx disse...

Ainda assim resiste a face, um sorriso.
°°°

Blaxxx disse...

Para ouvir:
Credenciais - Hurtmold
°°°

Jean Souza disse...

Pois é. Isso ainda foi feito antes de eu ouvir falar em war in rio [o jogo]. Mas, não é difícil a constatação: war in Rio. A gente anda assustado, mas anda feliz por estas ruas, sente o sol, curte a praia, curte a noite singularíssima do Rio, cruzando com gente conhecida na Lapa, no Cine Odeon, em Copacabana, no CCBB, no Centro da cidade, no Paço, em Ipanema, aqui do outro lado, em Niterói, curtindo shows, ouvindo bossa, a noite eletrônica, o povinho indie esnobe e interessante, a cena cultural.

E toda essa desigualdade, a pobreza extrema, o subtrabalho, o subemprego, a violência, a drogadição, o sujo, o cheiro de mijo, o capital - axiomática que estria espaços, sobrepuja devires, gera desejos, que são imantes...