quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Diário do Intangível - inscrição VII

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Hoje, sábado. Duas coisas que preciso dizer. Uma: pela primeira vez, em cinco anos, falei com a minha vizinha. Valquíria o nome dela. Já tinha visto antes, na correspondência, cruzamos algumas vezes na portaria, mas, hoje me dei conta, nos falamos pela primeira vez dentro de cinco longos (pelo menos pra mim) anos. Tá certo que eu posso contar as poucas vezes que nos vimos durante este tempo, mas, fico surpreso, nos falamos pela primeira vez só agora.

Valquíria, vinte e oito anos, americana, do Minnesota, dupla cidadania por causa da mãe, portuguesa, que se casou com o pai, americano. Formada em engenharia, trabalha numa empresa que fica a cinco quarteirões da minha, namora um cara chamado John, ou Johnny, alguma coisa assim, que é mais velho que ela. Conheceram-se na empresa e ano que vem passam as férias em Bariloche, lugar que eu odeio e não quero falar sobre agora.

Acho que Valquíria é uma pessoa feliz. Sabemos bastante um do outro. Obrigado, senhores exatos quarenta e seis minutos presos no elevador...

Pelo menos ela guardava lanche na bolsa. Pão com queijo e tomates. É verdade, eu nem tinha fome, mas comer ajuda.

Segunda coisa. Estou saindo com este cara, Toshio, um japonês. Segunda vez que saio com um cara oriental. O primeiro foi na adolescência, Willian, estudava comigo, último ano do colégio. Toshio, um espetáculo. Alto, ombros largos, voz grave, traços fortes, aparência meio agressiva. Acho que algumas pessoas têm medo dele. Economista. Nos conhecemos no cinema, durante um filme do Cuarón.

Penso agora: nos falamos na fila, mas nos conhecemos mesmo na sala de exibição. Então... nos conhecemos durante, hehe...

E, na verdade, não estou mais saindo. Saímos por três dias só. Ele viajou, vai pra São Paulo. Depois fica seis meses em Osaka.

Toshio tinha gosto de hortelã. Mas era bom.

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