sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Diário do Intangível - inscrição VIII

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Vou apresentar um programa novo. Estamos em fase de finalização. Sabe, tenho ficado muito satisfeito com a produtora, com os programas, com as matérias e os convidados. Tudo muito bem feito, muito bem pesquisado, bem produzido, bem acabado. Gosto da minha imagem no vídeo, tenho atraído audiência, a resposta do público tem sido positiva. Estou contente.

Acho que fico mais contente ainda por ter sucesso fazendo o que faço, podendo andar pela rua, sem um monte de gente me perseguindo, falando asneira, dizendo qualquer coisa saída de uma cabeça vazia. Segmentação tem destas vantagens. Estou lá no canal trezentos e sei lá quanto, aparentemente esquecido, mas pago as minhas contas, viajo, tenho minha vida, saio, curto algumas pessoas.

Não gosto de dizer que sou feliz, mas acho que sou. Eu sei que a sociologia odeia o conceito, mas tem vezes em que me acho o próprio 'homem médio', resultado de alguma estatística bonitinha, capaz de precisar exatamente nossos medos, desejos, sei lá, renda, padrão de consumo, até o quanto de vezes que a gente tende a chorar, que hábito de leitura vai adotar, quantos minutos vai gastar pra foder alguém na cama...

Só falando besteira...
Não, eu não me considero homem médio. Eu não acredito em homem médio. Não acredito nem em estatística.

Eu sou um homem feliz, mas falta alguma coisa nesta minha vida. Falta conflito!

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