segunda-feira, 31 de março de 2008

Recado

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Você quer deixar um recado, mesmo que ele não seja tão importante, mesmo que, apesar da intenção, você não consiga deixá-lo poético. Não se envergonhe, não se acanhe. Por favor, não deixe de escrever. Escreva, mesmo que esteja com pressa e as letras saiam trocadas e algumas palavras não façam sentido. E lá fora estão todos estes prédios, o céu muito negro, nublado, e as janelas dos apartamentos todas fazendo um desenho com seus andares de quadrados apagados e acesos. Um pouco de uniformidade em seus desenhos, luzes brancas, luzes amarelas, luzes piscantes azuladas das salas em que se assiste televisão. Alguns assistem ao mesmo programa de tevê, outros assistem a um filme alugado, um devedê, um ou outro adormecido com a luz da tela, um som indefinido que interfere sobre os sonhos.

Alguém ali embaixo ouve música eletrônica num walkman. Sintetizadores.
O tempo tem passado tão rapidamente, você quer dizer, você quer escrever. Você esquece, por alguns instantes, qual era a parte mais importante do recado e então se recorda que não havia parte mais importante ou crucial. Queria apenas deixar a sua marca, mostrar que um dia existiu.
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