terça-feira, 1 de abril de 2008

Agora: releitura colorida

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Agora, neste momento, todas as cores do mundo circundam este casal, todas as cores do mundo se vão e fica apenas um intenso vermelho e depois um roxo e depois um amarelo e depois um azul. O homem pega a mão da mulher, no meio da calçada, diz-lhe coisas e ela sorri. O mundo é povoado pelo verde. Verde claro, verde-limão-fluorescente. E não o mundo inteiro, mas apenas o chão do mundo! Apenas o verde brilhante sob os pés de todas as pessoas. E todas as pessoas felizes e todas as pessoas que amam. E se amam.

Tem um vestido florido a mulher, como todas as mulheres do mundo, todas as mulheres que são um jardim e são flores e têm vestidos de flores. Ele tem uma sacola de mercado no braço direito, uma sacola branca, tão cheia de luz, tão cheia de cor e arco-íris, tão cheia de nuvem!

Do outro lado da calçada, duas amigas conversam. Seus olhos brilham. Uma delas usa botas de cano longo. E conversam e riem. E são cores, cada uma a cor que lhes sai de dentro, e duas cores de amigas se misturam debaixo das árvores. Estão perfumadas. E, ó!, o perfume é tão doce, tão intenso, tão delicado, tão agudo, tão cheio de capim e de bambus e florezinhas azuis em rodapés de muralhas, encostas de alcazares nos mais altos dos montes de Espanha! E belos, e suaves!, e cheios!, e cores!

A tevê passa um comercial de cerveja com mulheres nuas.
E homens também.
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