sexta-feira, 27 de junho de 2008

Segunda-feira

Meus cabelos esvoaçantes, meus cabelos esvoaçantes!

Estou rindo aqui, sozinha. Engraçado que só consigo pensar nos meus cabelos esvoaçantes, esvoaçantes, gigantes que estão... Já faz um tempo que decidi usar assim. Acho que uns seis, sete meses, resolvi mudar. Deu certo. Me sinto tão, tão selvagem, sabe? Meus cabelos andam tão desgrenhados, mas na medida!, ai, como eu fico feliz! Hahahaha!

Mas é verdade. Se o seu cabelo não vai bem, não tem como a vida seguir direito. É relação de causa e efeito: insatisfeita com o cabelo, insatisfeita com a vi-da! Eu, hein... Roberto que o diga! Coitado, me aguentou várias vezes reclamando da juba, que não me agradava de dia, me agradava à tarde, que eu prendia à noite, tingia no dia seguinte... Um drama só. Más!! como estou bem com ele hoje! Com eles, meu cabelo e meu marido.

Amanhã é segunda-feira, o dia "dos outros".

É in-crí-vel!, gente, como é incrível a mente do ser humano, não é mesmo? Sim, porque de repente, tudo eram mil maravilhas: resolvi o problema do meu cabelo, resolvi a minha vida, eu e o Roberto resolvemos nossa vida sexual, um arraso. Não durou uma semana. E a culpa é minha, eu sei, meu marido é o melhor homem do mundo, pacieente que só. Difícil encontrar igual.

Eu é que sou essa teia de complicações. Anos! Anos de terapia e quem disse que eu me resolvo? Às vezes eu acho mesmo que o meu caso é preocupante. Muito séria essa minha insatisfação com a vida. Se fosse só o meu cabelo... Antes fosse! Se meu problema fosse só meu cabelo, a cor do meu cabelo, comprimento, liso, esvoaçante... Eu-sou-com-pli-ca-da! Céus!

Acho que foi num sábado, foi tudo tão engraçado, tão corrido, tão no meio dos nossos lençóis, os dois embrigados, mas muito sóbrios!, eu, andando pela casa, esvoaçante, depois do sexo, o Roberto com uma taça de vinho, eu resolvi abrir uma champanhe, a gente derrubando bebida pelo carpete, gargalhando, uvas em cima da cama, morangos, ele tão feliz...

Foi aí que, num momento, eu me dei conta, já estava decidindo por ambos, ele rindo da minha cara, eu falando muito sério, entre um gole e outro, apertando com os dedos as bochechas dele, não deixando o Roberto falar, ele sentado na borda da cama, eu em pé, entre suas pernas...

Os beijos dele são cada vez melhores, tão quentes, tão doces, eu conheço a sua boca, eu sei a sua textura, eu sei cada detalhe. O seu peito, sua pele, suas mãos, suas coxas. É só dele a voz que me acalma, que me cala, me excita. Como eu te amo...

Às segundas-feiras nós somos livres. Eu quero que ele procure outros braços, que se desfaça da minha loucura, que encontre alguma outra por aí, alguém pra uma noite, alguém que não fale, que não tenha neuroses, alguma sem nome, sem endereço, que não fale, não fale, não tenha problemas. Alguma outra, que apenas trepe, pra fuder a noite inteira, um beijo sem muito sentimento e nada mais.

Às segundas-feiras, posso me atirar aos pés de um falo desconhecido, entre quatro paredes, num quarto de hotel. Às segundas-feiras eu saio do trabalho, e me sinto mais puta, eu posso dar pro desconhecido ao lado, no bar, posso dar pra quem eu quiser, pra quem me deseja, pra quem eu desejo. Posso me roçar na pica de um cara qualquer, beijar outra boca, encostar minha pele em seu rosto, sua barba, num quarto de hotel, numa esquina, num táxi.

Estou usando meu vestido branco de folhas verdes, meu salto faz barulho a cada passo pelo corredor da casa. Meus cabelos estão esvoaçantes, sinto o meu corpo tão intenso, sinto meu corpo quente, vivo, sinto por dentro, em movimento. Me dá um arrepio na nuca, aperto o seio com a mão, fecho os olhos, soluço de prazer, levo a outra mão entre as pernas, aperto firme, com muita força. Encosto e escorrego pela parede, solto um gemido, meus olhos viram, estou gozan... estou...

Aãhn, meus braços fraquejam, meus dedos tremem, minha boca tão quente.

Um comentário:

°°°F disse...

Adoro a segunda-feira desde que a conheci.
°°°