quarta-feira, 25 de junho de 2008

Sobre minhas incursões em busca de um garoto católico [ou Weblog, parte 2: atualizações]

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Acabei um dos trabalhos que estavam pendentes há muitos, muitos dias, creio que meses. Curioso como tudo o que eu precisava era de um pouco de calma e algumas poucas horas.Acabei o que tinha de fazer em cerca de três horas. Menos um peso.

Hoje comprei um panetone. Gosto muito, muito mesmo de panetone. Não gosto muito das frutinhas, mas como. Acho que gostaria muito mais se o panetone não tivesse frutas. Acho que já até vi uma vez, mas creio que só produzem isso no natal, e ainda estamos em junho. Curioso também como esse universo tão sacro fica impregnado em tanta coisa: panetone vira sinônimo de natal, que, por si só, já se explica como data religiosa. Não me importa, eu gosto mesmo é de panetone. Ainda tem metade e está dentro da minha mochila, que está em cima da minha cama, que está desarrumada, da seguinte forma: algumas roupas de frio sobre o travesseiro, um casaco um pouco afastado dessas peças, algumas folhas em branco, um livro sobre mídia, um aparelho que reproduz músicas e que resolvi chamá-lo dessa forma aqui, duas notas de dez reais e uma de vinte, uma outra blusa, uma cueca branca (eu só tenho duas cuecas que não são brancas), a minha mochila com panetone dentro e dois lençóis dobrados.

Como havia acabado meu trabalho e me sentira bem leve, esquentei um café que havia feito na madrugada de ontem, tomei uma caneca, fui até a varanda, dei um pulo enquanto passava pelo corredor, troquei de roupa, porque a que eu usava era um pouco larga demais, peguei a chave e resolvi dar mais um passeio até o segundo dia de festa junina da igreja que fica na minha esquina e acho que é uma das principais de Niterói. Eu moro em Niterói.

A minha rua virou um mijódromo. Os católicos - digo, as pessoas que estão na festa - vêm até a minha calçada para urinar atrás dos carros e atrás das árvores. Geralmente são apenas as travestis que fazem isso, mas hoje os homens pais de famílias também se juntaram a elas. Desviei de um deles, porque não queria pisar no rastro de xixi e porque também ele não fazia meu tipo.

Cheguei meio abobalhado na festa. É sempre um pouco engraçado andar sem rumo entre pessoas com rumo. Atravessei por entre elas (mais cedo a festa estava mais cheia, porém, tinha que terminar meu trabalho), olhei as coisas, senti alguns cheiros, não sentia fome, porque havia comido muita sopa e ainda um pedacinho de pão, poucos minutos antes. Por isso mesmo acho que até me senti um pouco enjoado ao atravessar a fumaça dos espetinhos de queijo, de carne de frango, vermelha, coração.

Quando vi, estava no final da fileira de barracas. Dei-me conta, então, de que usualmente eu ando muito, muito, muito rápido, sempre, e acabo andando com tanta rapidez, como se estivesse com pressa, mesmo quando não estou, como acontecia naquele momento. Lembrei-em que nos raros momentos em que consigo ir à praia, costumo me pegar, assim, andando ligeiro, como se tivesse pressa.

Havia uma cantoria, falavam em Jesus. E um casalzinho se atracava, aos beijos, apoiado numa imensa venda de bebidas. Resolvi tomar um quentão, essa bebida com gengibre, quente, que seria muito interessante de tomar, naquele momento. E me dei conta de que não vendiam quentão. Apenas cervejas e batidas e coisas frias. Onde está o quentão? Como podem, coisas frias, neste frio?!

Cresci no interior de São Paulo. E lá, nesta época, a gente bebia quentão e comia batata doce assada na fogueira. Bem, na verdade eu era pequeno, não bebia, podia ficar só com a batata doce. Mas lembro que havia gengibre. E essa bebida, fervendo, em panelas gigantescas. A gente passava a mão por cima do vapor, e esfregava, pra espantar o frio de poucos graus.

Vejo uns senhores de casaquinhos e óculos de aros grossos e logo penso: padres. A música estava sem graça. Acho que eu mudara de humor de repente. Passei por alguns adolescentes, muitos deles com o mesmo objetivo que o meu (ou quase isso). Pensei em fumar um cigarro e ficar ali por mais um tempo observando todas as pessoas. Quando se tem um cigarro na mão é mais fácil justificar o estar parado, contemplando o que quer que seja que esteja à sua frente. Antes de tudo, você está fumando. Porra. Estou parado fumando.

Acho fumar tão anti-cristão. E beber também. Nossa, como sou conservador! Acho que seria um ótimo religioso. Fumar em frente à igreja? Destruir seu próprio corpo é destruir também o corpo de Jesus Cristo! Somos todos um corpo só!

Eu tenho mesmo este costume de andar por demais apressado. Foi tudo muito rápido. Quando vi, já estava aqui, de volta. Minha cama ainda espera mais um.

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Um comentário:

Pitango disse...

Só não seja rápido demais a ponto de esquecer-se do que já acabou de passar agora .

Abço,
Pitango.
http://www.lenfantdeboheme.blogspot.com/