terça-feira, 1 de julho de 2008

Ciborgue

Acordei tentando discernir o quanto de mim ainda era máquina. Ou se eu era realmente um ser humano. Meus braços doíam, o direito mais que o esquerdo. Logo, presumi que era o meu lado direito o lado que ainda era animal. Tentei concluir que era humano dos membros superiores pra cima - não era possível que meu cérebro fosse artificial! Eu não estaria tendo estes questionamentos. Ou estaria?

Meu braço direito doía absurdamente, mas percebi, num outro segundo, que dormira sobre ele, apoiando-lhe, assim, todo o peso do meu corpo. Logo deixaria de sentir - a dor. Meu pescoço doía. Acho que teria um torcicolo. Torcicolos são horríveis. Eu odeio ter de limitar meus movimentos, principalmente pela manhã, quando já sofro de mau humor crônico. Pra mim isso já bastaria.

Lembrei que eu sofria de mau humor. Então, concluí que eu ainda era um ser humano.
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3 comentários:

Pitango disse...

Tenha certeza que é. Assim as coisas são mais fáceis.

Pitango

http://www.lenfantdeboheme.blogspot.com/

°°°F disse...

Assisti Eu Robô (novamente), por acaso , esse final de semana.
Cara, gosto muito deste filme em particular (apesar de perder alguns bons momentos de reflexão para imprimir ritmo de filme de ação).
°°°

José Rodrigues (JR.) disse...

bons textos os seus. o que em nós ainda é humano e não age de maneira irrefletida e automaticamente? o que em nós ainda é capaz de se impressionar e se encantar com a vida? de fato somos humanos, apesar de vivermos numa sociedade que torna a vida um objeto e o viver um ato sem sentido.
faço o convite para vc, se quiser, visite o Experimentando Versos, meu blog de poesias:

http://experimentandoversos.blogspot.com

um abraço,