segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Stalker

Deve ter uns trinta e dois anos este homem que sempre vejo e desejo em meu caminho. Temos horários parecidos, por isto nos encontramos sempre, ali ou acolá. Na verdade ele não deve saber da minha existência, já que sou eu quem o deseja e não ele a mim - imagino. Talvez já tenha me visto, penso. O que teria pensado a respeito?, me pergunto. Talvez não tenha pensado nada, quem disse que é preciso elaborar algum pensamento sobre tudo aquilo que passa pelo nosso olhar? Faço perguntas bobas...

Seus cabelos são quase encaracolados e me lembram estátuas gregas.

Tenho mania de imaginar figuras helenísticas, sempre fui apaixonado por estes corpos, estes cabelos, estes semblantes e estes narizes. Seu nariz é helenístico, assim como o corpo, que se esconde por baixo das roupas formais, do qual vejo tão pouco: apenas as mãos, além do pescoço e da sua cabeça com detalhes tão simétricos. Seus olhos são castanhos e parecem sempre levemente marejados, parece concentrado, parece um homem calmo, uma vez ouvi sua voz. Falava ao telefone.

Imagino que tenha um filho de três ou quatro anos e uma esposa um pouco mais jovem, inteligente, de cabelos longos e são bem sucedidos e vivem tão bem. Imagino seu abraço tão calmo, imagino seu corpo quase helenístico por baixo das roupas cinzas e sóbrias, quero imaginar seu sorriso, mas guardo apenas, quase que única possível, a face de poucas expressões, eu diria até triste, eu diria, melhor, um rosto de rotina.

Eu quero beijar a sua boca, que é muito quente, segurar o seu rosto devagar e beijá-lo devagar e olhar de perto os seus olhos e encontrá-lo mais uma vez, e depois outra e depois outra e depois outra, como sempre fazemos, sem ainda nos tocarmos.

Um comentário:

°°°F disse...

Muito curioso é que conversamos sobre posts sobre stalkers na mesma época.
Sinergia nu-epitélios?
°°°