quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Diário do Intangível - Inscrição XII

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Vaguei numa noite dessas completamente sem rumo, completamente sem direção, sem coisas coerentes na minha cabeça, perdendo o controle, coisa que nunca fiz. Sou um homem relativamente sensato - sempre digo a mim mesmo -, sou um homem completamente racional. Eu achava que alguns sentimentos eram nada mais que reproduções idiotas de fantasias... não sei, cinematográficas, românticas, shakesperianas, folhetinescas, coisas de personagens - e eu sou gente real. Dou minhas risadas agora.

Seguro este copo e penso no vazio das últimas noites e não de uma delas apenas.

Tenho vivido um pouco mecânico, eu sei, espero que isso passe. E enquanto não passa eu penso no vazio. Penso nos meus sonhos, nos meus pesadelos, na minha rotina dos últimos dias, que se tornou patética; penso na inércia a que me entreguei e fico contente, porque sou... posso ser um ser inerte, quero ser um ser inerte, quero ser um homem vazio. Posso ser, quero sentir mesmo tudo isso, posso sentir... Eu gosto, neste exato instante, de ser um homem sem movimento. É a minha relação de intimidade com o tempo. Eu não ligo, Tempo. Eu posso esperar. E penso, neste segundo.

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Um comentário:

Pitango disse...

Cada pessoa a seu tempo. Ou em seu tempo. Sei lá.

Abção do Pitango.

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