domingo, 18 de outubro de 2009

Declaração de um amor contemporâneo


Todos os meus e-mails são pra você.

sábado, 8 de agosto de 2009

Sequencia de máximas não necessariamente correlatas, entretanto interligadas, pois referentes ao mesmo sujeito

I. Interessante esta experiência de perder o controle. Mesmo que tendo consequencias negativas, interessante. Contribui. Para crescer.

II. Eu somatizo.

III. “Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”.

IV. “Hoje vou me achar, e depois me perder, em nós dois.

V. Divisão Social do Trabalho.

VI. Divisão Esquizofrênica do Trabalho.

VII. Você trabalha. Para quem?

VIII. Não errar.

IX. Para quem vai o lucro: para um?

X. Capitalismo e Esquizofrenia.

XI. Plano de fuga. Linhas de fuga.

XII. Sendo metódico: trocar café e cigarros por chá e drogas lícitas leves.

XIII. Hoje: umidade relativa do ar caindo drasticamente.

XIV. O dia 6 de agosto de 2009 caiu numa quinta-feira. Uma quinta-feira morna e estranha. Nenhuma brisa. Tanta gente na rua. Carros num ritmo lânguido.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Chá / Desvio


Pelas calçadas, eu sigo. Desviando dos pombos, das pessoas que andam devagar, das gotas dos aparelhos de ar-condicionado, dos vendedores ambulantes, das pessoas que distribuem papéis, das bancas de jornal, dos espirros, dos perdigotos, das fumaças dos vendedores que fazem churrasquinho, de alguns buracos, poças d’água, dos atrasos, dos pensamentos. E de mim.

Eu desvio.

É importante ressaltar: os pombos têm papel essencial nos desvios de minhas trajetórias. Patéticas. Quando parados, escolho um dos lados, e sigo. Quando vão pra direita, eu vou pra esquerda. Quando pra esquerda, eu na direita. E, patético, sigo, quando os pombos, nojentos e pretos com peninhas que brilham esverdeadas ou azuis, caminham pela direita e, num drible, me encontram, num susto, na esquerda, quase tropeçando, tentando, nunca – eu disse: nunca – fazer o seu caminho.

Não, eu não posso dividir o mesmo espaço que um pombo. Eu não respiro perto de pombo.

Também não respiro perto de pessoas que espirram.

Também, por algumas vezes, mudo de caminho (algumas vezes de calçada), quando encontro um pombo ou uma pessoa espirrando.

Ora, vejam só: cá me encontro, colocando pessoas e pombos na mesma categoria de seres abomináveis, aos quais tenho repulsa e não ouso cruzar seus caminhos, dividir o mesmo metro quadrado e faixa preta de pedras portuguesas na calçada. (Ou qualquer outra medida que sirva de parâmetro identificatório de proximidade física com tais criaturas).

Duas considerações: 1. Defensores de animais me odeiam, porque odeio pombos; 2. Defensores de animais não me odeiam, porque pombos e pessoas, para mim, podem ser colocados na mesma categoria de “seres” – apesar de abomináveis (nesta ocasião). Uma terceira consideração: não tem ninguém dando a mínima.

*

Chá de camomila.

A camomila era adorada pelos egípcios como uma flor sagrada. É milenarmente conhecida por suas virtudes.

“O chá de camomila possui um sabor naturalmente adocicado e um perfume acolhedor. Ideal para um momento de descanso”.

É o que diz a caixinha.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Cafeína


Puta insônia - ele disse.
Cafeína.

No sexo, eu sempre gosto de dar duas. Seguidas, bem dadas.
Sexo bom tem que durar algumas horas. Várias horas, no chão, na cama...

Comer o outro. Entrar no outro.

Casal


Preciso de você aqui,

pra me dar um empurrão.

sábado, 1 de agosto de 2009

O Rio de Janeiro


É lindo.

De Botafogo a Niterói.
De Niterói a Laranjeiras.

Quando pego o ônibus confortável,
de volta pra casa.

Quando vou pra Lapa.

Ah, Lapa!

Rio, cantado,
em versos,
em, sambas!


Ah! Os homens do Rio de Janeiro!

sábado, 25 de julho de 2009

Avenida


Te ver aqui do alto, ali e em tantos rostos, ao olhar para as pessoas na Avenida, significa.

Fumar cigarro, tentar conter angústia transcrita em ranger de dentes, em corpo tenso e febre baixa. Traduz movimento.

Tão brilhante o Theatro! Distraio-me vendo as pessoas que atravessam a rua. Ar de petulância contra os carros. Disparam em direção aos trabalhos, pontos, vagões. Alguns namoros.

Existe uma linha tênue entre o que se quer e o que não se quer. Uma palavra sem sentido. Conglomerado de coisas que se deseja dizer, quando na verdade não se deseja.

Brinca de silêncio em formato de uma sentença. Frase carregada de sentido (sentimento), confusa, nem densa, nem difícil, nem objetiva, nem feita com razão.

Não existe razão, quando não se tem tempo.

Não existe tempo, quando não se tem tempo.

É tão ruim a angústia da incerteza.

Tão feliz a satisfação da segurança.

***

Eu amo teus olhos doces, meu amigo. Quando você de repente os levanta, lancinantes, a caminho do céu. Como um raio, brilhante, que corta.

Mas há ainda um encanto maior. Quando você, meu amor, desce os olhos sobre a terra. Quando o beijo queima tudo à volta em fogo. E vejo, sob teus olhos, a chama sombria do desejo.

Teia


Existe um emaranhado.
Nesta cidade.

Uma conexão mundo,
Entre umbigos.
Entre os braços.

Seus corpos,
E vísceras.

Existe, nesta cidade.
Uma conexão mundo,
Um emaranhado.

Ligas de sangue
E salivas
E tripas
E vírus
E corpos.

Existe nesta cidade.
Uma casa.
Que é de todos nós.

Aqui, jaz, uma teia.
De pessoas,
De corpos.

De sangue.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Termômetro


Ao meio dia, uma lembrança: "Regras Para o Parque Humano".
Às 16h, constatação: "I'm burning".
Às 17h, desespero: "Tempo, meu inimigo".
17, afogado em trabalho.

21, rotina: jantar no shopping.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Camboinhas


Pela tarde, visitamos a praia. Um pouco cinza, um pouco quente, um tanto lilás o horizonte no cair da tarde. Tão frio o vento após a água!

As ondas estavam fortes, e avistavam-se três navios. A oeste, uma embarcação bonita, azul e amarela, próxima às rochas, esta a menor. Ao norte, por um momento, um grande cargueiro branco, que rapidamente sumiu, por trás dos montes, ligeiro. Ao leste, um navio negro e vermelho, longilíneo.

Acendi um cigarro cenográfico. O vento apaga mais rápido a chama, consome antes do trago. Uma foto, duas, três, centenas.

*

Meu corpo reluz como ouro e seus olhos são esverdeados. Sua pele tão branca. Engraçado o contraste entre as marcas de sol, no antebraço, o branco tão pálido na marca da camisa.

Se minha imagem é agradável, é este seu cuidado o responsável por certas auras. Sorrio pouco. E transpareço uma certa satisfação, em certo semblante semicerrado, quase reflexivo. Quase sério. Feliz.

*

Permita-me sentir um amor, neste tempo. Uma felicidade estranha, quase preocupada. Permita-me sentir esta tarde, deixar sentir esse cuidado tão grande, que vem de ti.

*
No meio da tarde, olhamos as águas, a areia, olhamos o mar. Comemos alguma besteira, na orla, sentimos a vida, pisamos nas pedras.

Trouxe algumas conchas.

*

Nos irritamos, com este ar palhaço, que só os namorados têm. E nos beijamos de leve. Você com gosto de uva, eu com gosto de mar.

Apontamos para o horizonte. Ao sul estaria São Paulo, a nosso norte, a África. A África, tão grande, não? Pensamos planos. Um pouco mais a oeste da vista, mais à direita, a África do Sul.

Eu ainda me pergunto: por que eu?

domingo, 7 de junho de 2009

New York, New York


Do tipo que, depois da transa, acessa o MySpace da Regina Spektor.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Amores


Acho que eu amo o Sufjan Stevens.

O verbo amar é um dos mais perigosos, sabe...

Eu amo minha cama. Amo (talvez) o Sufjan Stevens. E amo algumas pessoas (tão poucas...).

1. Não estou bêbado; 2. Eu amo coisas e pessoas; 3. Eu acho bastante perigoso o verbo amar (ah, já disse isso).

Há diferentes níveis de amor, na minha concepção.
Diferentes "amores" então...

Meu domingo foi inesperadamente denso: romantismo inglês de Wordsworth e obscurantismo soviético de Tarkovsky.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Pós-sex

No caminho havia um pouco de lama, alguns bichos estranhos, entre eles uma salamandra preta e vermelha e um sapo, no qual pisei sem que houvesse intenção. A salamandra era na verdade um bicho amorfo (encaixado, assim, como salamandra, nas taxonomias não menos estranhas advindas de uma mente conturbada - a minha).

Havia água, muita água, talvez um rio que, transbordado, gerava a lama nas margens, nos caminhos, e deixava os bichos - anfíbios - jogados, desnorteados, no meio das passagens.

Havia somente eu, e minha jornada. E não apenas sapo e salamandra. Talvez mais algum caminho. E talvez mais algum excesso de bichos. Anfíbios, outros animais. Insetos.

Diriam, psicanalistas, terapeutas, puro princípio de psicopatia.Psicopatologias.

Eu diria: enquanto meu corpo se move, involuntariamente, na cama, tenho a sensação de que durmo acompanhado, quando ainda estou sozinho...

domingo, 3 de maio de 2009

Um minuto

São oito e treze da noite, um domingo. Subo na cama pra abrir a janela. Não tiro os tênis. Sincronizadamente, meu vizinho da frente (na verdade, à minha direita, a cerca de cinquenta metros), abre a janela também. Acende um cigarro, está sem camisa. As cortinas dele são vermelhas, bem iluminadas pela luz que vem do quarto.

Minhas cortinas são corta-luz, as mais apáticas possíveis - cinzas, em um dos lados. Objetivo: apenas bloquear qualquer indício de luz que venha lá de fora. Luz do sol, luz do céu, luz de fogos, luz de balão.


Hoje é domingo. Espero namoradinho. Meio namorinho de portão, sabe, tem sido assim.

Alguém ainda acha graça de Faustão? O que pensa toda essa multidão? Eu não tenho televisão.

Eu também sou alienado, vou comer no McDonald's.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Excesso


Cuspiu pela janela.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Visão interna [de outrora]


Navios, guindastes, pontes e riscos aleatórios.

Visão interna [do autor]


Navios, guindastes, pontes, mares e células.

O que é maior?


Seu desejo ou sua consciência?

sábado, 28 de março de 2009

Nivelamento em ordem crescente de objetos perfeitos de desejos sexuais, com referências globais, artísticas e lascivas


gaéis, garréis, gyllenhaais e sufjans.

Nivelamento de pares românticos, em ordem crescente de sentimento de importância e atração


pessoas da noite, pessoas legais, pessoas muito legais, pessoas interessantes, pessoas absurdamente interessantes, pessoas quase-perfeitas (também chamadas de pessoas bissextas).

quinta-feira, 26 de março de 2009

Sêmem não é saliva


Sêmem não é saliva.

terça-feira, 24 de março de 2009


Quem são vocês?


Qual o seu desejo?

domingo, 22 de março de 2009


Afagar teus cabelos. Percorrer meus dedos. Sentir-te em minha mão.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Notas de uma sexta-feira de sol, não sendo exatamente notas sobre a sexta-feira de sol

Ia começar falando sobre “vontade de comunicar”, um conceito meu (pretensamente), mas começarei falando da coincidência. Adoro o termo. Co-incidir. Incidir simultaneamente. Algo do acaso.


No momento em que escrevo estas palavras, ou melhor, no momento em que finalizava o título, eis que passa por mim uma pessoa e diz: “hoje é sexta-feira”.


Sem ter lido minhas linhas.


Co-incidência não tão co-incidente assim, já que de fato estamos numa sexta-feira. E não é muito difícil divagar sobre a sexta, um dia fatídico, um dia, creio, estatisticamente mais feliz que muitos dos outros dias da semana. Mais feliz que a segunda, mais feliz que a terça. Mais feliz que a quarta.


A quinta já é esperança.


Esta não é uma passagem sobre os dias da semana, enfim. (Apesar de ser, em grande parte, sobre a sexta-feira)


As pessoas do Rio de Janeiro parecem cada vez mais bonitas.


A vontade que eu tenho é de agarrar algumas delas, tirar suas roupas, roçar suas barbas, enfiar as mãos por debaixo dos decotes. Sentir algumas, delicadas.


“Vontade de comunicar”. É toda essa força, todo esse impulso que, aqui, nos direciona para o comunicar desenfreado, para o falar, independentemente de “para quem” ou “para quantos”, ou quando, ou onde, ou por quê. O que importa é falar, escrever, anotar, relatar, partilhar, registrar, arquivar, não perder segundos, não deixar que acontecimentos se percam, sejam esquecidos, vítimas da memória vulnerável.


O ruído. Tenho pensado sobre o ruído comunicacional. E sobre outra coisa que não sei exatamente como se chama. Não exatamente falha, não exatamente ruído. Provavelmente “interpretação através da apropriação indevida”. Captar uma determinada mensagem, que não lhe é direcionada, entende-la como para si, resignificá-la, levando o emissor a tomar conhecimento deste novo significado, indevidamente apropriado, mas que, entretanto, é útil, e gera reflexão.


Não estou falando novidade aqui. Obviamente a lógica deste “ruído” está nas páginas dos lingüistas, novos, antigos, seculares, quiçá milenares, de bibliotecas por aí. Não quero ser, novamente, pretensioso, aqui. Mas também não importa. É a lógica minha, é a lógica da descrição, interpretação e significação que faço nesta tarde ensolarada de sexta-feira.


Co-incidência tem sempre a sua força de incidente, de acidente, de contingente.


Houve uma época em que eu admirava mais a contingência. Agora, ainda admiro, mas sei que ela é de fascinação traiçoeira. Experimentei seus perigos. E conseqüências. E. Por isso. Torna-se. Ela. Mais. Fascinante. “Salto. Contigente”. Ainda desejo (o substantivo, não o verbo).


O ruído é interessante, e bom, porque faz pensar. (Este ruído)


A “vontade de comunicar” é boa, porque gera uma infinitude de mundos. Nunca duvidei.


A cidade ensolarada é boa, porque gera desejos.


A sexta-feira é boa. Porque é sexta.


 


quarta-feira, 18 de março de 2009

Membrana


Você namoraria um cara branco de dentes amarelos, é puro tártaro, eu pensei, ai que nojo, logo disse pra mim mesmo. Voltei a fitar aqueles dentes, pra observar que amarelo era o dos dentes, se de cigarro, se era em um dente só, e tentei resgatar a imagem da minha cabeça, antes de voltar a checar, os dentes daquele garoto, que se chamava B.. Não, o nome não importa, vamos chamá-lo de B., mesmo que isso não faça sentido algum. Sentido ALGUM, eu me disse. Novamente observei os dentes, eram quatro, e não um apenas, os dentes amarelos, e por outro momento me fiz o questionamento: não eram tão amarelos assim! E, esquisito, senti a necessidade de olhar, agora por uma terceira vez, aqueles dentes. Ah, quem se importa, que coisa mais idiota, ficar olhando os dentes de uma pessoa que mora em São Paulo, enquanto você mora no Rio. E ele nem é um lavador de pratos.

O lavador de pratos. Ele é lindo. Ok, mentira, ele não é lindo. Ok, contesto-me, o que seria realmente o "ser lindo"... Que coisa mais absurda, eu me pego falando agora. Porque conceitos como lindo, bonito, gostoso ou atraente são deveras relativos. Eu posso dizer então, sim, ele é lindo. Lindo para mim. E recordo-me agora daquela música que diz you are so beautiful... to me. Ressalte-se esse "to me". Eu sempre achei uma sacada tão interessante nessa letra. Porque você não precisa dizer que a pessoa é bonita. Você diz, it's beautiful TO ME. E pronto. O lavador de pratos é um homem de trinta anos.Cheguei a essa conclusão, depois de alguns minutos. Acho que menos de dez. Talvez sete. Sete minutos. Eu o via de longe e, por causa de uma pessoa que entrou no meu caminho, acabei me aproximando um pouco mais dele. Ficando de frente. Ele não é nem alto, nem baixo. Um tipo caucasiano, do leste. Um tipo italiano, talvez. Eu tento ler seus lábios, mas ainda assim, depois de cerca de meia hora, ainda me resta a dúvida sobre se ele é realmente mudo ou não. Me parece um surdo-mudo, que balbucia coisas. Não consegui sequer entender uma palavra. Sequer uma. Nem um som. Os seus olhos são negros e pressionados por sombrancelhas grossas, que parecem mesmo comprimir um pouco das suas pálpebras, dando a idéias de olhos que se querem fechar, mas não totalmente. Ainda assim são olhos vivos. Ainda assim são bonitos. Isso, o lance das sombrancelhas é algo muito bonito também. Ele tem pelos nos braços e usa uniforme azul. E depois de um tempo percebo que usa luvas azuis também. As roupas são de tom diferente da luva. A luva tem cor de céu claro, as roupas, de azul de uniforme mesmo. De operário, de mecânico. Ele se encontra rodeado de mulheres, mas não porque elas o galanteiam, mas porque na disposição geográfica do trabalho, esta é a sua função, centralizar o foco das louças e basicamente dos pratos que ali chegam. Ele é tão bonito. Seus olhos são pretos e sua boca não se abre muito. Seus dentinhos são cerrados e ele é sedutor. Por um momento, o que me encanta, nisso tudo, é que ele vai pegar o meu prato. Pegar nos talheres que eu peguei. Mas não me encanta muito. Ele usa luvas. É tudo tão asséptico.

O casal. Ela, menos de trinta, ele também. Muito bem sucedidos. Eu digo casal, mas não são de fato um casal. São conhecidos. Não chegam a ser amigos, mas são conhecidos o suficiente para falarem mal dos amigos em comum (ou conhecidos em comum - estou aqui ressaltando a oposição amigos versus conhecidos). Estudaram juntos. Falam de um outro casal, este sim, um casal de verdade, no sentindo romântico da palavra, no sentido romântico do termo. [Estou me explicando tanto hoje, estou me permitindo isso] [Gosto] [Gós-to] [Não gôsto]. A grande questão é o marido. Todos desconfiam que ele seja HOMOSSEXUAL. BOIOLA, nas palavras deles. Os sogros se calam diante da questão, diz ela. Ele diz que eles jogam futebol juntos. "Olha, num primeiro momento pode parecer sim, mas sabe que ele NÃO É?", diz ele. Ela diz: "Ah, mas É SIM!, se não foi SERÁ!". Ele pensa e conclui: "É VERDADE, se não foi, SERÁ!". Uma questão que fica: "se não foi, será" é uma coisa tão difícil assim de se deglutir? (Gosto do uso dessa palavra aqui [achando graça]) Entendam, meus caros: a condição sexual de uma pessoa não depende de determinismos, do tipo "se não foi será". Há desejos e bissexualidades e "se não foi, não será" também. O noivo pode pra sempre não ter sequer contato com nenhum outro homem, mesmo que ele te deseje, e deseje todos os seus amigos, depois que eles saem do jogo de futebol. Esse futebol de vocês. Portanto, se não foi, não será, mesmo que deseje. A questão é: se não foi, pode nunca realizar. A questão, ao final, não é ser, é fazer.

Ela já foi para a África.

No restaurante. A mulher de cabelos negros tem quarenta anos e sua irmã é muito formosa, é cantora. Um homem que ficou cego em breve saberá que tem câncer. Um homem engravatado está enjoado e teve problemas nos olhos porque seu barco virou na Lagoa Rodrigo de Freitas. Bebeu um pouco de água de lá. Não gosto de usar apóstrofos. Dágua.

Existe a necessidade de falar do lirismo dos mendigos, que será falada aqui. A sua estética particular, de dois deles, em especial, que mereciam ser fotografados, na semana passada. E o modo como cochilam e deitam e ceiam nos gramados. O modo como se toma a cidade, uma liberdade que aqui, na falta de miséria, NÃO SE TEM. O lirismo do ocupar a cidade e mijar e cagar pelas ruas, na frente dos outros, sem paredes. De sentar-se no meio da calçada e dormir na calçada, por onde se passa. Por onde passa o homem, e seu progresso. O lirismo AGRESSIVO. Da miséria. Um oxímoro.

É realmente necessário um comentário centrado em egoísmo, do umbigo, mas que se direciona aos outros: que se ouça o som da cidade! Tirem seus fones de ouvido! Ouçam o som da cidade! Sim, eu sou um tanto desta cidade. E cada poro. [A questão do poro é recorrente. Póro] As sombras, o lixo, o silêncio e os brinquedos quebrados deixados pra trás pelo caminhão de lixo. Um carrinho de metal, azul, pequeno, que amanhã, um garotinho do morro vai pegar, no asfalto. Uma rodinha de caminhão, o eixo quebrado. Tudo deixado para trás. Alguma infância.

Notas: é preciso lembrar que nem sempre há entrelinhas. Há gestos, palavras e ações que se reduzem a si mesmos. É preciso lembrar que nem sempre há metáforas. Há gestos, palavras e imagens que se reduzem a si mesmos. É preciso lembrar que nem sempre há entrelinhas. E metáforas. E duplos sentidos. E intenções ocultas. É preciso lembrar que há discursos objetivos, sem metáforas. Lembrar-se de que metáforas e entrelinhas demais são paranóias. E não objetivos.

Tópicos frasais: A velocidade dos acontecimentos me deixa em estado de choque. É preciso lembrar que não há entrelinhas. A minha intenção é enxergar seus poros. Esta questão do mar é tão recorrente.

Palavras para não se usar: nunca, jamais, talvez, recorrente.

Lembrete: ser original, saber quando parar.

O que hacer quando membranas se rompem? Em alguns casos, mesmo que não haja rompimento total da membrana, mesmo que não haja rompimento, há permeabilidade, devido à sua estrutura epitelial, sua parede, celular (de célula), ou tipo de tecido. Etc. É possível, por exemplo, que um líquido ou outro tipo de conteúdo, migre para um ou outro lado. A clássica questão da osmose. Reflito agora sobre essa permeabilidade do discurso. E da língua. Permeabilidade da língua, e não do discurso - penso se é esta a questão. Penso: língua. Discurso. Sim, são coisas diferentes. Diferentes? Esta questão do encantamento era muito boba. Saber que ele ia lavar meu prato. Que coisa mais sem sentido, infantil.

domingo, 8 de março de 2009

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Coisas que andei pensando agora e nos últimos dias.

-
Não sei se é comum misturar azeite no purê de batatas, mas fiz isso, e é muito bom. Façam isso, pessoas que gostam de azeite e de purê de batatas.

Andei pensando sobre instabilidade emocional e sobre fazer sexo da forma mais intensa possível.

Pensei sobre matemática, sobre medos e sobre carnaval.

Pensei em Sufjan Stevens.

Também pensei em outras coisas, mas elas não devem ser tão importantes assim, porque, agora, só me recordo destas mesmo.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Traição

-
Intersecção.

Tristeza

-
Quando a embarcação se aproxima, é possível ouvir com clareza cada vez maior o barulho das ferragens. A intensidade das ondas que se formam debaixo do casco diminui. As embarcações se preparam para o choque com o cais. Há uma tora de madeira imponente e, em volta dela, acima do nível da água, uma peça de ferro, pesada, que é móvel, e se desloca pra cima e para baixo, de acordo com o balançar da maré. A grande tora de madeira está fincada no solo. Deve ter uns quinze metros de altura. A parte que se vê sobre as águas é pintada com tinta branca e vermelha. A peça de ferro está pintada de azul.

Quanto mais a embarcação se aproxima, maior o movimento de sobe e desce da engrenagem. E da plataforma de desembarque, que também é móvel.

As águas são turvas, de azul escuro que pouco reflete o sol. Faz muito calor, mas há também nuvens, que encobrem o céu. E lhe pintam de cinza, logo acima do porto. Ao longe, vê-se um pouco do azul mais claro do céu. E nuvens brancas.

Quando aporta, choca-se o casco contra a plataforma móvel. E a peça de ferro azul encerra seu movimento, pressionada contra a estrutura de metal da embarcação, pressionada contra a tora de madeira. Agora, todas quase imóveis.

Permanece o movimento do mar.

Seguem milhares de pessoas, como rebanho. Para frente. A maioria com pressa.

Há faixas pintadas no asfalto. Há faixas amarelas, paralelas.
Há pessoas que não gostam de semáforos.
Há pessoas em sentido contrário. E cheiro de caixas que transportam coisas novas.

Há um grupo de mendigos, que discutem coisas.
E depois, não há mais nada.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Make Love.

-
Tive um pesadelo em que o meu dilema era vestir-me ou não para a guerra. Que horrível...

A guerra era desencadeada pela queda brutal das bolsas no (WTF?) Alaska. Isso foi o estopim.

Guerra de verdade no Rio de Janeiro, gente. Dos salões da Biblioteca Nacional eu ouvia gente gritando nas ruas.

E presenciava engarrafamentos homéricos, onde as pessoas cantavam juntas músicas que tocavam no rádio. Tipo Wando (!).

A polícia perseguia geral.

E o mais curioso: a cidade era cheia de sexo. (Sei lá, essa parte deve ser meu subconsciente agindo...)

Em um campo de copas muito abertas, eu transei com um casal de japoneses.

Enfim, lição do dia: MAKE LOVE, NOT WAR! =*

Caral

-
Caral era um homem triste, que cheirava a sabonete de shopping e a cigarro barato, desses com cheiros estranhos, que dão forte dor de cabeça na gente.

Caral era um homem sujo, que usava jeans muito velho e surrado, de manchas pretas abaixo do joelho, e por vezes andava descalço, mas também tinha uma bota marrom, muito desgastada, que usava sem meias mesmo, apenas para não queimar o pé em dias muito quentes.

Ou pra entrar no shopping.

Caral era um homem que frequentava o shopping da cidade apenas para usar o sabonete do banheiro. E usar o banheiro também.

A cada semana, trocavam as cores e os perfumes dos sabonetes, que eram azuis, amarelos ou verdes. Sempre estas cores, e estas cores apenas. Amarelo cheirava a anis, verde sabor de eucalipto. E azul era um mistério elegante, talvez tivesse cheiro de coisas vindas da Índia, cheiro de coisas azuis, que sua ignorância desconhecia. Talvez flores. Talvez alguma erva selvagem que crescesse em matas perigosas, como algumas da televisão. Florestas destas onde homens se escondem, nas guerras.

Caral era um homem triste, que, entretanto, gostava do sabonete do shopping.

Muitas vezes espalhava sabão pelos braços e roupas, sem enxaguar, pra que os cheiros permanecessem nas horas em que vagasse sem rumo, embaixo do sol, ou sob alguma marquise movimentada.

Tinha cheiro de cigarros também. E se questionava, várias vezes, se sabonetes eram mesmo sabonetes, ou se eram coisas usadas para fazer detergente de lavar louças. Ou se eram coisas usadas para fazer xampus, já que xampus tinham realmente um pouco daqueles aromas.

E sentia-se satisfeito quando banhava os braços nas pias bonitas e brancas - automáticas.

Tinha cheiro de sabonete azul, na maioria das vezes. E de cigarro barato. E era um homem infeliz.

Pele

-

Apertar-te a mão é tirar-lhe os poros.
Abraçar-te, subtrair-te a pele.
Um toque, camadas que ficam.

Beijar-te, comer-lhe um pouco.
É comer-te, um pouco de ti,
um pouco de ti,
um tanto de ti.

Beijar-lhe é comer-lhe o resto,
sugar-lhe as células,
comer-te, engolir-te.

Beijar-te é engolir a ti.
São códigos.
São células.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Filosofia muito barata

-
A fim de amenizar um pouco a falta de densidade do conteúdo a seguir, policiarei-me quanto ao discurso adolescente, quanto ao tom confessional - de diário -, quanto ao clichê de mesa de boteco, tão banal quanto poesia que se joga em papéis aos milhares por aí todos os dias. E, apesar de tudo, eu sei, não conseguirei.

Escreverei as palavras seguintes a partir do meu umbigo, e simplesmente a partir dele, porque o discurso do ego, subjetivo ao extremo - o eu no centro do mundo - é muito bom! E solto algumas risadas.

Primeiro: houve um tempo (algo como três meses atrás) em que diariamente eu presenciava uma situação surreal. Em algumas, eu estava envolvido, em outras, era apenas figurante, um ser-tangente, uma linha.

Há este tempo, o do hoje. O surrealismo é menos presente, entretanto, paira à minha volta uma atmosfera novelística, fílmica, estranha, muito curiosa, muito cheia de coincidências, universos extremamente pequenos, que se cruzam, de pessoas que se tocam, que se conhecem, que viram parte da mesma história, que se experimentam, se choram, e riem. E não sei.

Segundo: há este tempo, que me diverte, e nele coisas incontroláveis, como este lidar com o outro, este novo, algumas mentes. Algumas cabeças são absurdamente imprevisíveis e, confesso, são elas as que muitas vezes mais me fascinam.

Repito. Os dias parecem roteiros. Pelos absurdos.

São os absurdos.

(...)

Faz calor. Preciso ir ao mercado.
Eu disse, não conseguiria policiar-me da filosofia barata. Me desculpem.

poema da insegurança

-
se faz virtual, assim.

eu digo: te quero.
eu falo que desejo sua risada,
seu corpo quente,
afagar meus dedos no teu cabelo

que sinto falta de tudo que é você.
e quando você pede pra deitar do seu lado,
até você adormecer.

nesta linha eu digo que tenho vergonha.
nesta outra eu digo que te quero, novamente.

este é um poema de fraqueza.
este é um poema de coragem.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Domingo

-
Presenteou-lhe com fotografias, que foram guardadas num livro de Barthes.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Coisas que vi hoje (pela manhã)

_

- garotinho subindo escadas (feliz, subindo rápido os degraus); parou subitamente quando viu o cadarço desamarrado.

- criança gorda chinesa sorridente levada pela mão por mulher negra, também gorda.

- menina loira de macacão preto; esperava táxi; equilibrou-se em meio-fio estreito quando ele chegou.

- um peixe.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Meio-fio

-
Atravessar a rua. O suficiente pra mudar toda a vida. O primeiro passo e uma decisão.
Do outro lado da calçada, era outra pessoa
.

Noite fria

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Noite fria e triste. Ignorou o mau hálito do homem. Melhor do que a solidão, pensou. De manhã, saiu enojada, roubou-lhe a carteira.

Descanso

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Cuidava da velha há quase dez anos. Quando saiu a aposentadoria, resolveu dar cabo do emprego. Com um travesseiro, a sufocou docemente.

Descuido

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Um descuido, e revelou que já não mais o amava. Ele tomou coragem, disse que sentia o mesmo. Respiraram aliviados. O melhor ato falho.

Lynch

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Silêncio sepulcral na minha rua, o sol simplesmente sumiu! Sinto-me num David Lynch! Por favor, me digam, o que está acontecendo???

Coragem

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Faltou coragem. Por isto, foi infeliz. Amava suas pernas, seios, lábios e tudo. Nunca assumiu o romance, porque ela se chamava Arlindo.

Culpa

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Viagens, carros, mulheres e privilégios eram mesmo maiores que a moral. Não era muito difícil ser político e corrupto - admitiu.

Iguais

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Marcos dizia sim ao livre mercado. Aos olhos de João - comunista - quase uma pessoa má. "Fora da realidade" - dizia este. Se apaixonaram.

Advogado

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Hoje ele é advogado, casado, dois filhos. Na adolescência, gostava de se exibir, se masturbar na webcam. Era legal também.

Encantada

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Raul tinha colônias de bactérias no couro cabeludo, na boca, nos pés. Mesmo assim, encantou Liana, que namorou por um ano e cinco dias.

Nasceram humanos [Da Série: Foi Feliz Para Sempre]

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Nasceram humanos e preocuparam-se muito com o futuro. Aos 20, transferiram suas memórias para microchips. Viveram felizes para sempre.

Emergente

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Morria, porque ele era capaz de misturar feijão e sushi. Respirava fundo, o importante era que agora podia comprar na Daslu.

Edifício

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Lindo era o rapaz, eu tinha certeza. Seguia depressa. E eu, no 6° andar. Queria avisar "seus papéis vão cair!". Em vão. Perdi de vista.



terça-feira, 6 de janeiro de 2009

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Me desculpe, mas eu não te amo.



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