quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Coisas que andei pensando agora e nos últimos dias.

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Não sei se é comum misturar azeite no purê de batatas, mas fiz isso, e é muito bom. Façam isso, pessoas que gostam de azeite e de purê de batatas.

Andei pensando sobre instabilidade emocional e sobre fazer sexo da forma mais intensa possível.

Pensei sobre matemática, sobre medos e sobre carnaval.

Pensei em Sufjan Stevens.

Também pensei em outras coisas, mas elas não devem ser tão importantes assim, porque, agora, só me recordo destas mesmo.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Traição

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Intersecção.

Tristeza

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Quando a embarcação se aproxima, é possível ouvir com clareza cada vez maior o barulho das ferragens. A intensidade das ondas que se formam debaixo do casco diminui. As embarcações se preparam para o choque com o cais. Há uma tora de madeira imponente e, em volta dela, acima do nível da água, uma peça de ferro, pesada, que é móvel, e se desloca pra cima e para baixo, de acordo com o balançar da maré. A grande tora de madeira está fincada no solo. Deve ter uns quinze metros de altura. A parte que se vê sobre as águas é pintada com tinta branca e vermelha. A peça de ferro está pintada de azul.

Quanto mais a embarcação se aproxima, maior o movimento de sobe e desce da engrenagem. E da plataforma de desembarque, que também é móvel.

As águas são turvas, de azul escuro que pouco reflete o sol. Faz muito calor, mas há também nuvens, que encobrem o céu. E lhe pintam de cinza, logo acima do porto. Ao longe, vê-se um pouco do azul mais claro do céu. E nuvens brancas.

Quando aporta, choca-se o casco contra a plataforma móvel. E a peça de ferro azul encerra seu movimento, pressionada contra a estrutura de metal da embarcação, pressionada contra a tora de madeira. Agora, todas quase imóveis.

Permanece o movimento do mar.

Seguem milhares de pessoas, como rebanho. Para frente. A maioria com pressa.

Há faixas pintadas no asfalto. Há faixas amarelas, paralelas.
Há pessoas que não gostam de semáforos.
Há pessoas em sentido contrário. E cheiro de caixas que transportam coisas novas.

Há um grupo de mendigos, que discutem coisas.
E depois, não há mais nada.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Make Love.

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Tive um pesadelo em que o meu dilema era vestir-me ou não para a guerra. Que horrível...

A guerra era desencadeada pela queda brutal das bolsas no (WTF?) Alaska. Isso foi o estopim.

Guerra de verdade no Rio de Janeiro, gente. Dos salões da Biblioteca Nacional eu ouvia gente gritando nas ruas.

E presenciava engarrafamentos homéricos, onde as pessoas cantavam juntas músicas que tocavam no rádio. Tipo Wando (!).

A polícia perseguia geral.

E o mais curioso: a cidade era cheia de sexo. (Sei lá, essa parte deve ser meu subconsciente agindo...)

Em um campo de copas muito abertas, eu transei com um casal de japoneses.

Enfim, lição do dia: MAKE LOVE, NOT WAR! =*

Caral

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Caral era um homem triste, que cheirava a sabonete de shopping e a cigarro barato, desses com cheiros estranhos, que dão forte dor de cabeça na gente.

Caral era um homem sujo, que usava jeans muito velho e surrado, de manchas pretas abaixo do joelho, e por vezes andava descalço, mas também tinha uma bota marrom, muito desgastada, que usava sem meias mesmo, apenas para não queimar o pé em dias muito quentes.

Ou pra entrar no shopping.

Caral era um homem que frequentava o shopping da cidade apenas para usar o sabonete do banheiro. E usar o banheiro também.

A cada semana, trocavam as cores e os perfumes dos sabonetes, que eram azuis, amarelos ou verdes. Sempre estas cores, e estas cores apenas. Amarelo cheirava a anis, verde sabor de eucalipto. E azul era um mistério elegante, talvez tivesse cheiro de coisas vindas da Índia, cheiro de coisas azuis, que sua ignorância desconhecia. Talvez flores. Talvez alguma erva selvagem que crescesse em matas perigosas, como algumas da televisão. Florestas destas onde homens se escondem, nas guerras.

Caral era um homem triste, que, entretanto, gostava do sabonete do shopping.

Muitas vezes espalhava sabão pelos braços e roupas, sem enxaguar, pra que os cheiros permanecessem nas horas em que vagasse sem rumo, embaixo do sol, ou sob alguma marquise movimentada.

Tinha cheiro de cigarros também. E se questionava, várias vezes, se sabonetes eram mesmo sabonetes, ou se eram coisas usadas para fazer detergente de lavar louças. Ou se eram coisas usadas para fazer xampus, já que xampus tinham realmente um pouco daqueles aromas.

E sentia-se satisfeito quando banhava os braços nas pias bonitas e brancas - automáticas.

Tinha cheiro de sabonete azul, na maioria das vezes. E de cigarro barato. E era um homem infeliz.

Pele

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Apertar-te a mão é tirar-lhe os poros.
Abraçar-te, subtrair-te a pele.
Um toque, camadas que ficam.

Beijar-te, comer-lhe um pouco.
É comer-te, um pouco de ti,
um pouco de ti,
um tanto de ti.

Beijar-lhe é comer-lhe o resto,
sugar-lhe as células,
comer-te, engolir-te.

Beijar-te é engolir a ti.
São códigos.
São células.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Filosofia muito barata

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A fim de amenizar um pouco a falta de densidade do conteúdo a seguir, policiarei-me quanto ao discurso adolescente, quanto ao tom confessional - de diário -, quanto ao clichê de mesa de boteco, tão banal quanto poesia que se joga em papéis aos milhares por aí todos os dias. E, apesar de tudo, eu sei, não conseguirei.

Escreverei as palavras seguintes a partir do meu umbigo, e simplesmente a partir dele, porque o discurso do ego, subjetivo ao extremo - o eu no centro do mundo - é muito bom! E solto algumas risadas.

Primeiro: houve um tempo (algo como três meses atrás) em que diariamente eu presenciava uma situação surreal. Em algumas, eu estava envolvido, em outras, era apenas figurante, um ser-tangente, uma linha.

Há este tempo, o do hoje. O surrealismo é menos presente, entretanto, paira à minha volta uma atmosfera novelística, fílmica, estranha, muito curiosa, muito cheia de coincidências, universos extremamente pequenos, que se cruzam, de pessoas que se tocam, que se conhecem, que viram parte da mesma história, que se experimentam, se choram, e riem. E não sei.

Segundo: há este tempo, que me diverte, e nele coisas incontroláveis, como este lidar com o outro, este novo, algumas mentes. Algumas cabeças são absurdamente imprevisíveis e, confesso, são elas as que muitas vezes mais me fascinam.

Repito. Os dias parecem roteiros. Pelos absurdos.

São os absurdos.

(...)

Faz calor. Preciso ir ao mercado.
Eu disse, não conseguiria policiar-me da filosofia barata. Me desculpem.

poema da insegurança

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se faz virtual, assim.

eu digo: te quero.
eu falo que desejo sua risada,
seu corpo quente,
afagar meus dedos no teu cabelo

que sinto falta de tudo que é você.
e quando você pede pra deitar do seu lado,
até você adormecer.

nesta linha eu digo que tenho vergonha.
nesta outra eu digo que te quero, novamente.

este é um poema de fraqueza.
este é um poema de coragem.