quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Tristeza

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Quando a embarcação se aproxima, é possível ouvir com clareza cada vez maior o barulho das ferragens. A intensidade das ondas que se formam debaixo do casco diminui. As embarcações se preparam para o choque com o cais. Há uma tora de madeira imponente e, em volta dela, acima do nível da água, uma peça de ferro, pesada, que é móvel, e se desloca pra cima e para baixo, de acordo com o balançar da maré. A grande tora de madeira está fincada no solo. Deve ter uns quinze metros de altura. A parte que se vê sobre as águas é pintada com tinta branca e vermelha. A peça de ferro está pintada de azul.

Quanto mais a embarcação se aproxima, maior o movimento de sobe e desce da engrenagem. E da plataforma de desembarque, que também é móvel.

As águas são turvas, de azul escuro que pouco reflete o sol. Faz muito calor, mas há também nuvens, que encobrem o céu. E lhe pintam de cinza, logo acima do porto. Ao longe, vê-se um pouco do azul mais claro do céu. E nuvens brancas.

Quando aporta, choca-se o casco contra a plataforma móvel. E a peça de ferro azul encerra seu movimento, pressionada contra a estrutura de metal da embarcação, pressionada contra a tora de madeira. Agora, todas quase imóveis.

Permanece o movimento do mar.

Seguem milhares de pessoas, como rebanho. Para frente. A maioria com pressa.

Há faixas pintadas no asfalto. Há faixas amarelas, paralelas.
Há pessoas que não gostam de semáforos.
Há pessoas em sentido contrário. E cheiro de caixas que transportam coisas novas.

Há um grupo de mendigos, que discutem coisas.
E depois, não há mais nada.

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