sábado, 28 de março de 2009

Nivelamento em ordem crescente de objetos perfeitos de desejos sexuais, com referências globais, artísticas e lascivas


gaéis, garréis, gyllenhaais e sufjans.

Nivelamento de pares românticos, em ordem crescente de sentimento de importância e atração


pessoas da noite, pessoas legais, pessoas muito legais, pessoas interessantes, pessoas absurdamente interessantes, pessoas quase-perfeitas (também chamadas de pessoas bissextas).

quinta-feira, 26 de março de 2009

Sêmem não é saliva


Sêmem não é saliva.

terça-feira, 24 de março de 2009


Quem são vocês?


Qual o seu desejo?

domingo, 22 de março de 2009


Afagar teus cabelos. Percorrer meus dedos. Sentir-te em minha mão.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Notas de uma sexta-feira de sol, não sendo exatamente notas sobre a sexta-feira de sol

Ia começar falando sobre “vontade de comunicar”, um conceito meu (pretensamente), mas começarei falando da coincidência. Adoro o termo. Co-incidir. Incidir simultaneamente. Algo do acaso.


No momento em que escrevo estas palavras, ou melhor, no momento em que finalizava o título, eis que passa por mim uma pessoa e diz: “hoje é sexta-feira”.


Sem ter lido minhas linhas.


Co-incidência não tão co-incidente assim, já que de fato estamos numa sexta-feira. E não é muito difícil divagar sobre a sexta, um dia fatídico, um dia, creio, estatisticamente mais feliz que muitos dos outros dias da semana. Mais feliz que a segunda, mais feliz que a terça. Mais feliz que a quarta.


A quinta já é esperança.


Esta não é uma passagem sobre os dias da semana, enfim. (Apesar de ser, em grande parte, sobre a sexta-feira)


As pessoas do Rio de Janeiro parecem cada vez mais bonitas.


A vontade que eu tenho é de agarrar algumas delas, tirar suas roupas, roçar suas barbas, enfiar as mãos por debaixo dos decotes. Sentir algumas, delicadas.


“Vontade de comunicar”. É toda essa força, todo esse impulso que, aqui, nos direciona para o comunicar desenfreado, para o falar, independentemente de “para quem” ou “para quantos”, ou quando, ou onde, ou por quê. O que importa é falar, escrever, anotar, relatar, partilhar, registrar, arquivar, não perder segundos, não deixar que acontecimentos se percam, sejam esquecidos, vítimas da memória vulnerável.


O ruído. Tenho pensado sobre o ruído comunicacional. E sobre outra coisa que não sei exatamente como se chama. Não exatamente falha, não exatamente ruído. Provavelmente “interpretação através da apropriação indevida”. Captar uma determinada mensagem, que não lhe é direcionada, entende-la como para si, resignificá-la, levando o emissor a tomar conhecimento deste novo significado, indevidamente apropriado, mas que, entretanto, é útil, e gera reflexão.


Não estou falando novidade aqui. Obviamente a lógica deste “ruído” está nas páginas dos lingüistas, novos, antigos, seculares, quiçá milenares, de bibliotecas por aí. Não quero ser, novamente, pretensioso, aqui. Mas também não importa. É a lógica minha, é a lógica da descrição, interpretação e significação que faço nesta tarde ensolarada de sexta-feira.


Co-incidência tem sempre a sua força de incidente, de acidente, de contingente.


Houve uma época em que eu admirava mais a contingência. Agora, ainda admiro, mas sei que ela é de fascinação traiçoeira. Experimentei seus perigos. E conseqüências. E. Por isso. Torna-se. Ela. Mais. Fascinante. “Salto. Contigente”. Ainda desejo (o substantivo, não o verbo).


O ruído é interessante, e bom, porque faz pensar. (Este ruído)


A “vontade de comunicar” é boa, porque gera uma infinitude de mundos. Nunca duvidei.


A cidade ensolarada é boa, porque gera desejos.


A sexta-feira é boa. Porque é sexta.


 


quarta-feira, 18 de março de 2009

Membrana


Você namoraria um cara branco de dentes amarelos, é puro tártaro, eu pensei, ai que nojo, logo disse pra mim mesmo. Voltei a fitar aqueles dentes, pra observar que amarelo era o dos dentes, se de cigarro, se era em um dente só, e tentei resgatar a imagem da minha cabeça, antes de voltar a checar, os dentes daquele garoto, que se chamava B.. Não, o nome não importa, vamos chamá-lo de B., mesmo que isso não faça sentido algum. Sentido ALGUM, eu me disse. Novamente observei os dentes, eram quatro, e não um apenas, os dentes amarelos, e por outro momento me fiz o questionamento: não eram tão amarelos assim! E, esquisito, senti a necessidade de olhar, agora por uma terceira vez, aqueles dentes. Ah, quem se importa, que coisa mais idiota, ficar olhando os dentes de uma pessoa que mora em São Paulo, enquanto você mora no Rio. E ele nem é um lavador de pratos.

O lavador de pratos. Ele é lindo. Ok, mentira, ele não é lindo. Ok, contesto-me, o que seria realmente o "ser lindo"... Que coisa mais absurda, eu me pego falando agora. Porque conceitos como lindo, bonito, gostoso ou atraente são deveras relativos. Eu posso dizer então, sim, ele é lindo. Lindo para mim. E recordo-me agora daquela música que diz you are so beautiful... to me. Ressalte-se esse "to me". Eu sempre achei uma sacada tão interessante nessa letra. Porque você não precisa dizer que a pessoa é bonita. Você diz, it's beautiful TO ME. E pronto. O lavador de pratos é um homem de trinta anos.Cheguei a essa conclusão, depois de alguns minutos. Acho que menos de dez. Talvez sete. Sete minutos. Eu o via de longe e, por causa de uma pessoa que entrou no meu caminho, acabei me aproximando um pouco mais dele. Ficando de frente. Ele não é nem alto, nem baixo. Um tipo caucasiano, do leste. Um tipo italiano, talvez. Eu tento ler seus lábios, mas ainda assim, depois de cerca de meia hora, ainda me resta a dúvida sobre se ele é realmente mudo ou não. Me parece um surdo-mudo, que balbucia coisas. Não consegui sequer entender uma palavra. Sequer uma. Nem um som. Os seus olhos são negros e pressionados por sombrancelhas grossas, que parecem mesmo comprimir um pouco das suas pálpebras, dando a idéias de olhos que se querem fechar, mas não totalmente. Ainda assim são olhos vivos. Ainda assim são bonitos. Isso, o lance das sombrancelhas é algo muito bonito também. Ele tem pelos nos braços e usa uniforme azul. E depois de um tempo percebo que usa luvas azuis também. As roupas são de tom diferente da luva. A luva tem cor de céu claro, as roupas, de azul de uniforme mesmo. De operário, de mecânico. Ele se encontra rodeado de mulheres, mas não porque elas o galanteiam, mas porque na disposição geográfica do trabalho, esta é a sua função, centralizar o foco das louças e basicamente dos pratos que ali chegam. Ele é tão bonito. Seus olhos são pretos e sua boca não se abre muito. Seus dentinhos são cerrados e ele é sedutor. Por um momento, o que me encanta, nisso tudo, é que ele vai pegar o meu prato. Pegar nos talheres que eu peguei. Mas não me encanta muito. Ele usa luvas. É tudo tão asséptico.

O casal. Ela, menos de trinta, ele também. Muito bem sucedidos. Eu digo casal, mas não são de fato um casal. São conhecidos. Não chegam a ser amigos, mas são conhecidos o suficiente para falarem mal dos amigos em comum (ou conhecidos em comum - estou aqui ressaltando a oposição amigos versus conhecidos). Estudaram juntos. Falam de um outro casal, este sim, um casal de verdade, no sentindo romântico da palavra, no sentido romântico do termo. [Estou me explicando tanto hoje, estou me permitindo isso] [Gosto] [Gós-to] [Não gôsto]. A grande questão é o marido. Todos desconfiam que ele seja HOMOSSEXUAL. BOIOLA, nas palavras deles. Os sogros se calam diante da questão, diz ela. Ele diz que eles jogam futebol juntos. "Olha, num primeiro momento pode parecer sim, mas sabe que ele NÃO É?", diz ele. Ela diz: "Ah, mas É SIM!, se não foi SERÁ!". Ele pensa e conclui: "É VERDADE, se não foi, SERÁ!". Uma questão que fica: "se não foi, será" é uma coisa tão difícil assim de se deglutir? (Gosto do uso dessa palavra aqui [achando graça]) Entendam, meus caros: a condição sexual de uma pessoa não depende de determinismos, do tipo "se não foi será". Há desejos e bissexualidades e "se não foi, não será" também. O noivo pode pra sempre não ter sequer contato com nenhum outro homem, mesmo que ele te deseje, e deseje todos os seus amigos, depois que eles saem do jogo de futebol. Esse futebol de vocês. Portanto, se não foi, não será, mesmo que deseje. A questão é: se não foi, pode nunca realizar. A questão, ao final, não é ser, é fazer.

Ela já foi para a África.

No restaurante. A mulher de cabelos negros tem quarenta anos e sua irmã é muito formosa, é cantora. Um homem que ficou cego em breve saberá que tem câncer. Um homem engravatado está enjoado e teve problemas nos olhos porque seu barco virou na Lagoa Rodrigo de Freitas. Bebeu um pouco de água de lá. Não gosto de usar apóstrofos. Dágua.

Existe a necessidade de falar do lirismo dos mendigos, que será falada aqui. A sua estética particular, de dois deles, em especial, que mereciam ser fotografados, na semana passada. E o modo como cochilam e deitam e ceiam nos gramados. O modo como se toma a cidade, uma liberdade que aqui, na falta de miséria, NÃO SE TEM. O lirismo do ocupar a cidade e mijar e cagar pelas ruas, na frente dos outros, sem paredes. De sentar-se no meio da calçada e dormir na calçada, por onde se passa. Por onde passa o homem, e seu progresso. O lirismo AGRESSIVO. Da miséria. Um oxímoro.

É realmente necessário um comentário centrado em egoísmo, do umbigo, mas que se direciona aos outros: que se ouça o som da cidade! Tirem seus fones de ouvido! Ouçam o som da cidade! Sim, eu sou um tanto desta cidade. E cada poro. [A questão do poro é recorrente. Póro] As sombras, o lixo, o silêncio e os brinquedos quebrados deixados pra trás pelo caminhão de lixo. Um carrinho de metal, azul, pequeno, que amanhã, um garotinho do morro vai pegar, no asfalto. Uma rodinha de caminhão, o eixo quebrado. Tudo deixado para trás. Alguma infância.

Notas: é preciso lembrar que nem sempre há entrelinhas. Há gestos, palavras e ações que se reduzem a si mesmos. É preciso lembrar que nem sempre há metáforas. Há gestos, palavras e imagens que se reduzem a si mesmos. É preciso lembrar que nem sempre há entrelinhas. E metáforas. E duplos sentidos. E intenções ocultas. É preciso lembrar que há discursos objetivos, sem metáforas. Lembrar-se de que metáforas e entrelinhas demais são paranóias. E não objetivos.

Tópicos frasais: A velocidade dos acontecimentos me deixa em estado de choque. É preciso lembrar que não há entrelinhas. A minha intenção é enxergar seus poros. Esta questão do mar é tão recorrente.

Palavras para não se usar: nunca, jamais, talvez, recorrente.

Lembrete: ser original, saber quando parar.

O que hacer quando membranas se rompem? Em alguns casos, mesmo que não haja rompimento total da membrana, mesmo que não haja rompimento, há permeabilidade, devido à sua estrutura epitelial, sua parede, celular (de célula), ou tipo de tecido. Etc. É possível, por exemplo, que um líquido ou outro tipo de conteúdo, migre para um ou outro lado. A clássica questão da osmose. Reflito agora sobre essa permeabilidade do discurso. E da língua. Permeabilidade da língua, e não do discurso - penso se é esta a questão. Penso: língua. Discurso. Sim, são coisas diferentes. Diferentes? Esta questão do encantamento era muito boba. Saber que ele ia lavar meu prato. Que coisa mais sem sentido, infantil.

domingo, 8 de março de 2009