sexta-feira, 20 de março de 2009

Notas de uma sexta-feira de sol, não sendo exatamente notas sobre a sexta-feira de sol

Ia começar falando sobre “vontade de comunicar”, um conceito meu (pretensamente), mas começarei falando da coincidência. Adoro o termo. Co-incidir. Incidir simultaneamente. Algo do acaso.


No momento em que escrevo estas palavras, ou melhor, no momento em que finalizava o título, eis que passa por mim uma pessoa e diz: “hoje é sexta-feira”.


Sem ter lido minhas linhas.


Co-incidência não tão co-incidente assim, já que de fato estamos numa sexta-feira. E não é muito difícil divagar sobre a sexta, um dia fatídico, um dia, creio, estatisticamente mais feliz que muitos dos outros dias da semana. Mais feliz que a segunda, mais feliz que a terça. Mais feliz que a quarta.


A quinta já é esperança.


Esta não é uma passagem sobre os dias da semana, enfim. (Apesar de ser, em grande parte, sobre a sexta-feira)


As pessoas do Rio de Janeiro parecem cada vez mais bonitas.


A vontade que eu tenho é de agarrar algumas delas, tirar suas roupas, roçar suas barbas, enfiar as mãos por debaixo dos decotes. Sentir algumas, delicadas.


“Vontade de comunicar”. É toda essa força, todo esse impulso que, aqui, nos direciona para o comunicar desenfreado, para o falar, independentemente de “para quem” ou “para quantos”, ou quando, ou onde, ou por quê. O que importa é falar, escrever, anotar, relatar, partilhar, registrar, arquivar, não perder segundos, não deixar que acontecimentos se percam, sejam esquecidos, vítimas da memória vulnerável.


O ruído. Tenho pensado sobre o ruído comunicacional. E sobre outra coisa que não sei exatamente como se chama. Não exatamente falha, não exatamente ruído. Provavelmente “interpretação através da apropriação indevida”. Captar uma determinada mensagem, que não lhe é direcionada, entende-la como para si, resignificá-la, levando o emissor a tomar conhecimento deste novo significado, indevidamente apropriado, mas que, entretanto, é útil, e gera reflexão.


Não estou falando novidade aqui. Obviamente a lógica deste “ruído” está nas páginas dos lingüistas, novos, antigos, seculares, quiçá milenares, de bibliotecas por aí. Não quero ser, novamente, pretensioso, aqui. Mas também não importa. É a lógica minha, é a lógica da descrição, interpretação e significação que faço nesta tarde ensolarada de sexta-feira.


Co-incidência tem sempre a sua força de incidente, de acidente, de contingente.


Houve uma época em que eu admirava mais a contingência. Agora, ainda admiro, mas sei que ela é de fascinação traiçoeira. Experimentei seus perigos. E conseqüências. E. Por isso. Torna-se. Ela. Mais. Fascinante. “Salto. Contigente”. Ainda desejo (o substantivo, não o verbo).


O ruído é interessante, e bom, porque faz pensar. (Este ruído)


A “vontade de comunicar” é boa, porque gera uma infinitude de mundos. Nunca duvidei.


A cidade ensolarada é boa, porque gera desejos.


A sexta-feira é boa. Porque é sexta.


 


2 comentários:

Heder disse...

Está nublado. *sergio malandro

(Na próxima postagem, farei um esforço pra dizer algo útil.)

Jean Souza disse...

Primeira (?) leitura onze minutos após a publicação.

Abri a cortina pra ver se havia nublado e vi um pássara enorme, negro, vindo na minha direção.

Acho que um urubu mesmo.

Deste lado da cidade, ainda há algum sol.