sábado, 25 de julho de 2009

Avenida


Te ver aqui do alto, ali e em tantos rostos, ao olhar para as pessoas na Avenida, significa.

Fumar cigarro, tentar conter angústia transcrita em ranger de dentes, em corpo tenso e febre baixa. Traduz movimento.

Tão brilhante o Theatro! Distraio-me vendo as pessoas que atravessam a rua. Ar de petulância contra os carros. Disparam em direção aos trabalhos, pontos, vagões. Alguns namoros.

Existe uma linha tênue entre o que se quer e o que não se quer. Uma palavra sem sentido. Conglomerado de coisas que se deseja dizer, quando na verdade não se deseja.

Brinca de silêncio em formato de uma sentença. Frase carregada de sentido (sentimento), confusa, nem densa, nem difícil, nem objetiva, nem feita com razão.

Não existe razão, quando não se tem tempo.

Não existe tempo, quando não se tem tempo.

É tão ruim a angústia da incerteza.

Tão feliz a satisfação da segurança.

***

Eu amo teus olhos doces, meu amigo. Quando você de repente os levanta, lancinantes, a caminho do céu. Como um raio, brilhante, que corta.

Mas há ainda um encanto maior. Quando você, meu amor, desce os olhos sobre a terra. Quando o beijo queima tudo à volta em fogo. E vejo, sob teus olhos, a chama sombria do desejo.