quarta-feira, 29 de setembro de 2010

LOL [ou "Registro idiota"]

Eu adoro falar LOL, mesmo sem intenção de dizer Laughing Out Loud
Essa palavra enche a boca!

LOL

Flerte compulsivo: um conceito

Flerte compulsivo: Trata-se da prática singela e prazerosa de mergulhar em flertes ininterruptos, na praça, na praia, no ônibus, no restaurante, na internet, na livraria. Cada um com seu grau de possibilidades.

Pode ser que o flerte contínuo, com sujeitos diferentes, tenha sua base nos seguintes princípios: 1) o ineditismo de cada encontro permite a tautologia das práticas mais eficientes de cada um; 2) a tautologia pode vir a se manifestar, ainda, no discurso.

Desenvolvendo: 1) sua melhor cantada barata — entretanto, certeira — pode ser usada repetidas vezes ao longo do dia, pois será inédita para cada um dos interlocutores-flertados; 2) aquela história que você adora contar, mas as pessoas próximas já não querem mais ouvir, segue o mesmo rumo: pode contar de novo e mais uma vez, e mais uma vez, sem tirar, nem por. E olha o espaço para o trocadilho aí!

Um terceiro princípio: o prazer intrínseco ao flerte! Ah, o flerte! Os diálogos! Os elogios tangenciados, os olhares lânguidos, o passeio da língua pelos lábios, o quase toque, uma expressão jocosa aqui, um outro elogiar ali. Uma frase que se pesca e se conduz como um laço solto ao vento, tocando suave a pele, dançando, sedutor. E um passeio de preliminares verbais, que conduzem ao aproximar dos corpos, ao caminho para o passo seguinte, além-flerte. O prazer!

* * *

Outro dia, conversando com um americano, falamos sobre bossa nova. Ele disse que adorava e ouvia algumas canções. Pôs, então, pra tocar, Jabuticaba, da Bebel Gilberto, coincidentemente, uma das minhas músicas favoritas, assim como a fruta.

— E você já comeu jabuticaba?
— I have only seen it. Not tasted it. Like so many men.


quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Frase de efeito

Vou contar até dez, pra ver se acontece alguma surpresa.

domingo, 5 de setembro de 2010

Incontrolável

Imagino se alguém não me fita, neste momento, com um binóculo, a alguns metros de distância, pela janela. Veria, este voyeur, minha figura sem camisa, de calça jeans, à frente do computador, fumando cigarro Marlboro, tomando Coca-Cola quente com gosto de remédio, após uns 400 ml de capuccino comprado no shopping. À minha esquerda, um mural azul, com os seguintes pertences dispostos assimetrica e sobrepostamente: fatura de cartão de crédito; bilhete onde anoto quantias que os amigos me devem; uma foto de Sufjan Stevens e outra fatura de cartão de crédito; um flyer com programação da Orquestra Sinfônica Petrobras (que não vou assistir, mas está aí com um objetivo calculado); foto de ex-namorado, neste momento coberta pelo flyer, mas que, habitualmente, se encontra visível; um lembrete de que preciso tirar segunda via de um documento; guardanapo de uma creperia que visitei outro dia, em Copacabana (pois guardo o guardanapo de cada lugar, sempre que o visito pela primeira vez); canhotos de cheque (não lembro a compra, talvez das lentes de contato, que neste instante me incomodam um pouco); cartão de um site de fotografias, que me registrou junto de amigos outro dia no Circo Voador (era show do Mombojó e até hoje nenhum de nós copiou as fotos do site, pois eles exigem que façamos cadastro para fazer o download, e todos ficamos com preguiça); um bilhete de Mega-Sena, que devo ter usado pra aposta de mês atrás; outro canhoto de cheque; um lembrete de livro importante para concurso público; outro papel, onde anoto o telefone de uma amiga que cursou Ciência Sociais comigo na UFF (precisava do telefone dela pra pegar recomendação de diarista, para faxinas aqui no apartamento); e cinco outros papeis dobrados, com as faces escritas voltadas para dentro (provavelmente com anotações de contas ou outros compromissos que não são legais de ficarem expostos às visitas, mas que estão ali pendurados porque são importantes para que eu lembre de sua existência).

Meu pretenso voyeur avistaria, ainda, colado na porta, outro mural, este verde, com fotos minha, do Pato Fu, de Sufjan Stevens, de Niterói e com a logomarca de um projeto de música eletrônica, que criei com amigos, chamado Threesome.

Lá de longe, este meu observador não ouviria o que ouço agora. Bebel Gilberto.

***

Há alguns dias eu e um amigo estávamos saindo pelas escadarias do metrô na Cinelândia (a escada que fica exatamente em frente à Biblioteca Nacional) quando, de repente, notamos que um homem nos fotografava, de dentro de um carro preto, com uma câmera notavelmente profissional e com zoom de alta precisão. O avistamos, eu olhei o fotógrafo nos olhos, ele ainda nos fotografou mais uma vez. Estávamos tão próximos, que ouvia-se o clac da câmera nos registrando.

Antes mesmo que pudéssemos abrir a boca para, no mínimo, perguntar do que se tratava, o vidro do carro subiu e o automóvel arrancou. A mim e ao amigo nos restou apenas nos entreolharmos e nos questionarmos para onde raios iriam nossas imagens.

***

Tempo presente: contemporaneidade. La comunicación es efímera.

Twitter. Em grande parte do tempo, escrevo mensagens curtas. Muitas vezes, registro monossílabos que denotam meu estado de espírito. Pouco precisos, entretanto, carregados de sentido para mim, às vezes para outros que comigo convivem. Talvez pouco comuniquem, embora comuniquem.

A memória é uma incógnita. Meus monossílabos são chilreios que se perdem num arquivo estranho de se garimpar e incerto quanto à sua perenidade.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

baby,

quero chorar de felicidade,
chorar sem saber muito o motivo.
chorar, em noite silenciosa em Niterói,

chorar ouvindo Gal Costa, baby.

eu sou louco.
quero chorar ouvindo Gal Costa,
quero chorar e apertar os olhos,

ouvir da minha maneira míope o Mundo.

chorar, sem saber o motivo,
sorrir, chorar, sentir torpor de sono,

quero resistir às horas,
insistir na vigília da vida,
insistir na vida,

nos outros.

eu quero música!
quero chorar de alegria!