quarta-feira, 9 de março de 2011

Notas sobre os últimos acontecimentos da pele [ou Notas subjetivas sobre o carnaval do self e dos outros]

Em 09/03/2011

Parte 1

  • Todos os epitélios entram em ebulição, durante o Carnaval. Generalização. Refletindo bem, talvez a maioria dos epitélios participantes entre em ebulição na festa, que é da carne. Da pele.
  • Mantendo o lirismo, eu manteria a ideia de "todos" os epitélios. Sendo mais realista, eu diria que, pelo menos a maioria dos epitélios que da Carne participam, por um momento, esquentam, ao serem tocados por ela, pelo poro e pelo espírito do outro - este, mais vulnerável, mais perto daquilo que cada um tem de mais particular de si.
  • Espírito desprotegido: como um "eu" que está sempre aprisionado em algum canto por dentro e, durante um lapso de tempo, fica mais perto da superfície do corpo, num movimento de externalização. Um "eu" mais perto da pele, mais perto do poro. "Self" com poucas barreiras. Epiderme.
  • Não basta ver de longe. É preciso sentir. Estar no meio, deixar que o toque chegue. Suor, saliva, calor, voz, um canto que sai cantarolante numa calçada, numa esquina. Um grito de felicidade. Sentir com os ouvidos, sentir com a boca, sentir com os olhos. Todos os epitélios. Sentir com o cheiro.
  • Uma história recorrente no carnaval é a recorrência de casos antigos de carnaval: passar por aquele bloco e voltar à memória o bloco, o mesmo bloco, do carnaval passado, do retrasado, daquele, de anos atrás.
  • Amor de carnaval, paixão de carnaval, decepção, gravidez. Tudo de carnaval. É como substantivo-chave, que transforma e dá sentido a tudo, na composição de um substantivo composto. Etimologia. Gramática de carnaval. "Substantivo composto de Carnaval": um conceito. Acopla-se o termo "carnaval" a um substantivo qualquer e, bingo!, está aí uma dotação de sentido completamente nova para qualquer coisa. (Façam suas combinações)
  • Reflexão-de-carnaval.
  • Ainda a recorrência, em diversas esferas: Do nível do imagético, da memória afetada pela embriaguez do álcool, da erva, da potência sintética da última droga moderna, ao nível do físico, do geográfico, do geológico. A redundância é extrema, e tão linda, porque irônica. (Talvez, um devaneio outro aqui).
  • Explico: redundância é andar em círculos e esbarrar novamente com quem não se deseja. Redundância é a repetição do verso (feliz), da estrofe (feliz), da marcha pequena, da música, do coro, da melodia de carnaval, ad infinitum, como disco arranhado. Copiosamente. Incessantemente. E feliz. "Redundância-de-carnaval": novo conceito.
  • E a redundância, pelo fato de necessária e feliz, é boa. Quem disse que redundância é necessariamente negativa?
  • Redundante lógica da vida. Em nível geográfico, geológico, biológico, físico, da fala, da natureza, do cosmos, do universo.
  • Nada melhor que um ciclo.
  • Nada pior que um ciclo mal resolvido.
  • Permitam-me dois clichês: O álcool entra, a verdade sai. Todo mundo é sempre Príncipe pra alguém.
Parte 2
  • O nível que me interessa é o nível do poro.