quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Eu e você

Quando antes existiam árvores no quintal e a gente começava a gostar de alguém, fazia um coraçãozinho no caule, com faca, e machucava o tronco com amor, e lá ficavam marcados os nomes, tipo, pra sempre, até virar alguma coisa deformada, que só a gente sabia, ou ficava é muito sólido e as pessoas até morriam antes da árvore, e aquilo ficava eternizado na mente. E como o casal morria perante a existência da árvore lá fincada, bem erguida, era como se tivesse sido mesmo eterna, porque pra eles ela nunca tinha deixado de existir, nunca tinha caído, nem sido cortada, nem atingida por um raio, nem nada.

Quando tempo dura uma árvore? E quando a gente encontra o amor que a gente quer e não quer outro, de modo que a gente só pensa naquela pessoa e é capaz de olhar pra foto dela um milhão de vezes por dia, um milhão de vezes por semana, e beijar a foto, e dizer que ama olhando pra foto, como se fosse a própria pessoa! E dizer que ama, enquanto se toca no chuveiro, enquanto se toca na cama, enquanto toma café na cozinha, enquanto tá dormindo, andando na rua, e fala o nome da pessoa amada, como se ela pudesse ouvir, lá de longe, e até chora de felicidade, meu deus, quando abraça! E chora de felicidade só de ouvir a voz do amor ao telefone, e chora umas lágrimas quentes que escorrem no rosto e caem na boca, que, ao mesmo tempo sorri! E como é boa essa felicidade! E como é lindo! E como é grande a vontade de contar pra todo mundo que ama assim! Contar pra mãe, contar pro pai, contar pro cachorro, e apresentar pros amigos, apresentar no trabalho e pros desconhecidos, porque o amor é aquele que faz tão bem, que a única coisa que a gente quer é mostrar o presente que, às vezes, parece mais que caiu do céu, e que quando fala parece veludo acarinhando o nosso ouvido, e que quando toca parece que o tempo finalmente parou.

Amor daqueles que dá vontade de escrever na árvore, mas que, hoje, a gente escreve na internet.

Eu te amo tanto.

2 comentários:

Anônimo disse...

Algumas das árvores mais antigas e altas do mundo datam de três mil anos atrás. Quase fósseis, testemunhas mudas da existência inextinguível do amor, que se dissolveu em vento, vapor e folhas caídas no chão.

Jean Souza disse...

Anônimo,

suas palavras são lindas.
Obrigado.