segunda-feira, 28 de maio de 2012

Sobre quando passamos a dormir cedo na sexta-feira e deixamos a comida queimar porque adormecemos de cansaço

Sobre quando passamos a dormir cedo na sexta-feira e deixamos a comida queimar, porque adormecemos de cansaço e não suportamos nossa própria embriaguez, que há bem pouco tempo relevaríamos, e seguiríamos pra balada. Teríamos pique pra duas sem sair de cima. Os tempos mudam. Nos últimos finais de semana, passei as noites em casa, na cama, assistindo filme dublado na tevê.

Ainda nem chegamos aos trinta e, recorrentemente, nos torna um cansaço repentino. Imagine quando tivermos quarenta. Vamos tentar dormir oito horas por dia, antes que venham as rugas, antes que tudo caia e nem tenhamos tempo de aproveitar nossas futuras rendas acumuladas, com o prazer dos corpos firmes, as caras firmes, a mente sã. Usemos filtro solar todos os dias, pela manhã. As luzes de escritório também fazem mal. E as telas de computador? De dez em dez minutos olhe para longe da tela. A cada quarenta minutos, levante da cadeira, flexione os membros, faça alongamentos, ajeite a coluna. Ou seriam cinqüenta minutos? Minha memória fraqueja.

Exercite os dedos. Faça pequenos alongamentos e evite lesões por esforço repetitivo.

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Tenho acordado com pesadelos horríveis. Aviões caindo, assassinatos, fugas, questões intermináveis de trabalho, jornadas inteiras de problemas, computadores, telefonemas, chefes.

Quando se mora sozinho, o ruim de acordar no meio da noite é não ter ninguém ao lado. Sem abraço, sem afago, sem alguém pra buscar um copo d'água. Nunca queira ter REMs.

Ser cético não impede de acordar com a impressão de pessoas à espreita, entre as paredes, atrás da porta, ao lado da cama, entre os móveis. No momento seguinte a nos levantarmos da cama, existe um estado de semivigília assustador.

Uma volta pelo apartamento. Alguns passos até a cozinha, uma olhada pela janela, ida ao banheiro, volta até o quarto, olhar pela janela da área de serviço. Observar os carros.

Sempre imagino a cidade pegando fogo. Vocês não?

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Hoje, busca-se uma profusão nebulosa de coisas, que preza pelo excesso de consumo, de barulhos, de carros, de comida, de lixo, de pessoas, de afrontas.

A conversa de bar mais sofisticada que tive recentemente tratava da Marcha das Vadias, sobre como machismo ainda impera nas pequenas práticas e nas extremas, quando o homem justifica estupro culpando a vítima, sensual demais, criminosa na sua provocação. Discutimos a legitimidade dos peitos de fora no meio da avenida e discordamos. “Peitos não são necessários em uma marcha”. “Sim, são: ainda não podemos topless em plena Copacabana”. Viva o peito de fora!

Busca-se uma profusão nebulosa de relações, numa Woodstock urbana, dissipada e forçada, desapegada, de excessos, sem amor, sem apreço.

“Elegante mesmo é a relação monogâmica”.

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Estilo literário: Notas Para O Futuro Próximo - também conhecidas como "Registros Breves e Esquizofrênicos Para Memórias Afetadas Pela Cultura do Efêmero Ou Cultura De Lapsos Demasiadamente Extensos Entre Sinapses Degradadas Por Cotidianos Massacrantes, Capitalistas Ao Extremo, Subjugadores de Subjetividades Presas Em Horas Determinadas Pela Temporalidade Centrada Na Alegoria Chamada Expediente".

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