quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Águia


Sempre imagino a águia do Jardim Zoológico fugindo num voo louco, desorientado, vindo parar na minha janela, no décimo primeiro andar. Gigante, magistral, assustadora. Penso tanto, que às vezes, quando entra na sala uma rajada de vento, olho assustado pra janela, como quem inconscientemente conclui: a harpia chegou. Desesperado, eu procuraria me proteger embaixo da mesa, com medo das garras afiadas, o bico tenebroso, as asas iradas, o grito ensurdecedor. 

Creio que seja, no fundo, um desejo que alimento. Sublime, porque tenebroso.

Da primeira vez que a vi, imponente, balançando no alto de sua jaula, fiquei estarrecido. Sempre me lembro que ela está lá. Minha janela fica na direção de sua casa.

Nenhum comentário: