domingo, 14 de abril de 2013

Alegoria: Feitiço de Áquila


O Feitiço de Áquila, filme de 1985, dirigido por Richard Donner, estrelado por Matthew Broderick e Michelle Pfeiffer, marcou a infância de muita gente, inclusive a minha. Falava de um casal amaldiçoado, que não podia se encontrar, porque a mulher, durante o dia, tinha forma de pássaro, e o homem, durante a noite, se transformava em lobo. 

A história fantástica embalou sessões da tarde por muitos anos e creio que passe até hoje na tevê, talvez nesses telecines da madrugada.

O grande questionamento do enredo era sobre como quebrar o encanto. E, eis que um dia, anuncia-se que um eclipse solar permitirá que ambos tomem forma humana ao mesmo tempo - condição para, diante do autor do feitiço, quebrar a maldição.

Alguns relacionamentos amorosos são como o feitiço de Áquila. Existem grandes períodos de tempo em que cada um parece tomar forma tão diferente do outro, que a comunicação se faz impraticável. E mesmo assim, uma intersecção mágica acontece num momento do dia, provocando entendimento, compreensão, reativando um amor estranho, que toma impulso e parte pro próximo desafio. 

Quem são as pessoas que vivem formas de amor baseadas no conflito? Psicanalistas vão apontar aqueles que precisam de uma boa briga, pra chacoalhar os ânimos e depois terminar num abraço pra fazer as pazes, sexo animal, transformar raiva em libido, uma energia corpórea agressiva, e por isso mesmo, dona dos orgasmos mais intensos. Talvez a raiva mesma já seja uma forma de desejo.

Cena de novela, roteiro previsível: casal que briga, grita, se aproxima e acaba na cama, com direito a trilha sonora internacional. 

“Entre tapas e beijos, é ódio, é desejo, é sonho, é ternura”, já diria a dupla sertaneja. 

Fato é que os amores tomam formas tão complicadas...

Pessoalmente, acho bem cansativo, mas quem sou eu pra julgar? Também tenho minhas manias, que muitos julgariam bem estranhas...