domingo, 29 de setembro de 2013

Beleza

Pego um ônibus do Centro em direção à Tijuca. No Rio, os motoristas não gostam muito de dar informações, então, apesar de não ter muita certeza se a linha passa na São Francisco Xavier, entro mesmo assim, sei que passa perto. Se for preciso, ando por alguns minutos. Uma caminhada em noite de sexta, ao final de um dia de trabalho, até faz bem.

Esqueço de tudo quando, de repente, um cheiro de café torrado preenche o espaço. Olho ao redor da Presidente Vargas caçando alguma loja, algum lugar para processamento de grãos, algum caminhão na pista transportando embalagens... Nada. Apenas cheiro de café, maravilhoso, que me acompanha até o fim da viagem. Alguém feliz carregava dentro daquele ônibus um mágico café. Fiz minha caminhada sentindo muita paz.

Sábado. Desço do prédio e uma ventania embala numa dança galhos, toldos, papéis, nuvens. Um garotinho com traços chineses, mão dada com uma mulher, talvez a mãe, me chama atenção. De olhos fechados, ele sente o vento tocar-lhe os cabelos muito finos, joga a cabeça pra traz e parece sentir um dos maiores prazeres da vida. Cabelos dançam. Ele sorri, ainda de olhos fechados, levanta as pálpebras para ver rapidamente o caminho à frente, e novamente cerra as vistas para o mundo, sentindo apenas o vento no rosto. Apenas o vento.

2 comentários:

Maria Eu disse...

Quem sabe o vento lhe contava histórias?? Bem melhor do que estar de olhos abertos! :)

Maria Eu disse...
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