domingo, 1 de dezembro de 2013

Racionalidade [ou: Um pouco de mim]

Classifico como duras as palavras que possuem molduras fortes, engessam o conceito, fixam, limitam ou impedem a mudança. Prefiro membranas mais permeáveis, ou poucas fronteiras, conceitos mais flexíveis.

Se há palavras que me incomodam demais, são as duras como “sempre”, “nunca”, “jamais”, “impossível”. Evito-as, elas podem até escapar, por descuido, mas, em geral, não uso. Prefiro “talvez”, “não sei”, “provável”, "difícil".

Nesse sentido, considero-me um otimista, oponho otimismo a fatalismo. Posturas fatalistas me angustiam, me incomodam profundamente. Costumam atrelar-se a conformismos.

Prefiro não dizer que algo é impossível, que algo nunca irá acontecer, que alguma coisa ou situação jamais terá solução. Não acredito em deus ou milagres e não sei o que é a realidade. Quem sabe o que é a realidade e seus limites? Quem é capaz de dizer o que é impossível?

As palavras e o que elas abraçam, dão conta, são engendramentos muito poderosos.

Há muito tempo, passei a me esquivar de juramentos e promessas. Ainda adolescente, comecei a olhar com mais rigor o sentido desses posicionamentos. Deste então, me oponho a eles. Provavelmente, foi uma postura tomada numa época em que passei a me desvencilhar com mais rigor dos vocábulos que diretamente ou de alguma forma tinham ligação com situações religiosas.

Comprometo-me, asseguro compromissos, mas prometer é praticamente uma liturgia. Não pronuncio. Eu não prometo. Eu não juro.

No fim das contas, trata-se de purismo.

Uma postura criteriosa para não usar palavras duras implica um tipo de dureza também, mas a vida é assim, cheia de contradições. Mesmo o pensamento lógico e a racionalidade estão cheios de paixões.

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