sábado, 20 de dezembro de 2014

2015

Terminamos a noite num desses botecos sujos, dos melhores. Pedi uma saideira e em seguida outra que, descobri, só eu mesmo queria. Saideiríssima. As amigas que moram longe tomaram o rumo do ponto de ônibus. Manhã de sábado acordando e as pessoas batucando como se ninguém precisasse mesmo dormir. Tomei mais um gole. Os outros amigos moram na Tijuca, precisam ir logo também, estão exaustos. Noite boa, noite louca, horas antes tinha um cara fazendo performance chatíssima no meio da rua, pelado, se contorcendo. Cara pensa que é só chegar fritado no meio da galera e entrar numa onda, que tá fazendo arte. Que preguiça.

Despedimo-nos todos com doçura, mas pro meu desespero, de repente percebi que minha garrafa estava cheia. Que aflição! Ter que ficar no bar sozinho, tomando só, com um possível semblante de arrasado, desacompanhado, quase digno de pena.

Que paranoia guia a gente, vez em quando. Eu, absolutamente acompanhado a noite toda, por ter que beber sozinho, agora, sentindo-me a cara da derrota. Jean, que preocupação boba ficar imaginando o que os outros vão pensar de você. Que vaidade egoísta achar que alguém ali ou aqui vai parar pra pensar sobre uma solidão imaginária. Que besta.

Eu vejo o batuque, camisa florida, lindo vendedor de cigarros ao meu lado. Fim de uma noite de trabalho, ele toma água mineral e apoia a garrafa sobre minha mesa. Na hora de partir, esquece de levá-la e, então, chamo-lhe num gesto, ele volta, apoia a bandeja com fumos e chicletes sobre um engradado de madeira, fita-me num agradecimento, desiste de ir embora. Olhos bonitos, cabelo raspado, acho viril.

Ao seu lado, um rapaz que sempre vejo por aí, cabelos quase nos ombros, braços fortes, regata vermelha. Eu não sei por que tanto preconceito com regata, justamente em uma cidade quente como o Rio de Janeiro. É leve, é fresca, é verão, é sexy. Não entendo mesmo.

Amigo querido aparece do outro lado da rua, encho um copo pra ele e, enfim, posso dar cabo à Bohemia. Portas do pé-sujo arriadas. Ofereço-lhe a bebida, ele só na água. Já não tenho mais sede, os dois copos vão pra um mendigo, que aceita de bom grado. Caminhamos para a feira, tomamos caldo de cana com pastel.


1920

Esperava o dia inteiro, só pra poder beijar teu rosto no momento da despedida. Guardava comigo o cheiro da barba o resto da semana. O ônibus partia, mas eu ficava ali sentado por alguns minutos, pensando em como era boa a tua companhia. Lembro de um filme de época em que o rapaz ficava louco só de ver a marquinha deixada pela meia do uniforme de colégio, na perna da garota. Tocar-lhe o joelho era o céu. O amor e a esperança são coisas belas.


terça-feira, 11 de novembro de 2014

natureza

Apareceu um onça em Petrópolis, diboua, andando na rua. Isso me deixa feliz, acho lindo. Tenho o sonho de ver araras voando livres. Quando passa revoada de papagaios, sempre fico contente também.

Águias me encantam e me assustam. Pra mim, são quase tão assombrosas quanto o mar. Nunca andei de navio.

Conchita Wurst cantando em reunião da ONU não parece filme futurístico dos anos 1980, projetando o futuro diverso, de gêneros amalgamados e libertos? Conchita é a própria mulher barbada.

Eu tomo cachaça.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

bim bom

Bate a saudade,
amor que atravessa o corpo.

Lâmina afiada,
que não machuca.

Rio de Janeiro,
Bossa Nova.
Uísque.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Pelo de gato

Dez pensamentos de uma vez, um cigarro com marca de batom. O inverno está agradabilíssimo no Rio e, pela manhã, o sol toca o lado esquerdo da minha rua. Há muitos gatinhos por aqui (refiro-me aos bichanos) e eles cochilam preguiçosos, na calçada, embaixo dos carros, entre as caixas. Sou capaz de morar nos lugares mais emblemáticos da cidade, tem até uma fábrica de Biscoito Globo por aqui.

Quase toda semana, vejo a avó no carro prateado, esperando o neto. Ela aguarda ao volante, paciente, o carro estacionado, os olhos voltados para a frente, quase austeros, quase tristes. O que será que ela pensa? Será que o passado? Ou o futuro?

A leveza viril dos moços que dançam trap no Aterro do Flamengo me deixa encantado. A sensualidade intensa, entre tragadas nos cigarros, um gole de cerveja. Este calor é sempre verão. Todos devíamos dançar para a vida, dançar para os outros, dançar para a cidade.

Uma tranquilidade aflita acontece por aqui.

Outro dia, um bichano surgiu na saída do elevador, e acompanhou-me até a porta de casa, tentou entrar, mas eu não aprecio os gatos tanto assim. Ficou do lado de fora, sem reclamar. E uma semana depois apareceu de novo, no corredor, um susto da puta que pariu. Diz o porteiro que o bicho resolveu adotar o prédio.

Tomei todas, descontroladamente, num dos jogos do Brasil, na última Copa. Na volta, abaixei pra acariciar um deles na calçada. Logo eu, que tenho pavor das bactérias da rua. Logo eu, vai entender... Vai.

Dei um soco na mesa e a cachaça que pedi pro moço voou pelos ares! Que lindo o filho do Seu Zé do bar, aliás. Quer me servir uma cachaça, sentar pra tomar um chopp, algo mais?

Cheiro de homem, pelo de homem, suvaco de homem.

Um gatinho branquinho sempre dorme sobre o capô dos carros. Esses gatos, irritantemente independentes, esquentam-se deitando sobre motor de carro. E se você vai fazer um carinhozinho tratam logo de se esquivar.

Me poupem! Prefiro dormir de conchinha.


terça-feira, 22 de julho de 2014

Um domingo

Ao longo da vida, temos certos desejos, pensamentos e vontades tão íntimos, que não partilhamos com ninguém além de nós mesmos. Alguns deles latejam por dentro, pedindo pra saírem em algum momento, capazes de criar angústia quase insuportável. Vontades clamam para irromperem em voz alta, para se materializarem, em alto e bom som. Há aquelas que encontram, afinal, sua hora de nascer. Alguns pensamentos a gente leva pro resto da vida. Ninguém tem acesso a ninguém, em sua totalidade.

“Desejo muito que você faça parte da minha vida”. Certa vez, acometido por uma paixão devastadora, escrevi isso num caderno. Eu precisava tanto, mas tanto, externar o meu desejo, que, impossibilitado de dizer as palavras à pessoa amada, encontrei no papel e na tinta a ínfima válvula de escape pra contar a mim mesmo, como me duplicando e criando um interlocutor que pudesse me ouvir, que estava afogado numa paixão-acontecimento, aparentemente impossível de se transformar em algo além.

Outro dia, ao arrumar a casa, mexendo nesse caderno, abri por acaso a tal página, verdadeira máquina do tempo para uma época intensa, de esperança feliz. O amor é capaz de vagar como um fantasma, às vezes aparece numa esquina, numa festa. Tenho me assustado com minha própria sombra. 

Acho que, finalmente, me acostumei com o novo apartamento. Ouço as conversas dos vizinhos. Assim como o cheiro das refeições, elas insistem em entrar pela janela. “Você vai pro judô?”, “sua cunhada prestou aquele concurso?”, “quem é o bebê do pai?”, “Flamengo jogou muito mal”. Nunca ouvi nada absurdo, as piores coisas a gente deixa pra falar baixinho. Não é de hoje que as paredes têm ouvido e vizinhos sabem muito bem disso. Que som devem pensar de mim? 

Apartamentos pequenos têm seus mil problemas. Por um descuido, o alho e a cebola refogados ficam impregnados na roupa do varal, e a gente precisa lavar tudo de novo. Outro ciclo, outra água, quanta repetição. 

Lembro-me de quando morava numa república em Niterói, e conversava com a galera vizinha, lavando roupa às duas da madrugada, na área de serviço. Tinha um apartamento cheio de estudantes de Farmácia. O meu era mais diverso.

Talvez eu seja um bom vizinho, ninguém nunca reclamou. Também não tenho o que reclamar dos outros. 

Se tem uma coisa que eu amo, é abajur. Pago até conta de luz mais cara, só pra manter o espectro vermelho na mesa do quarto. Convenci-me que traz energia boa, agora vermelho é minha energia preferida. Funciona. Comprei um florido pra sala que, aceso, gera penumbra docemente amarela, a cor da languidez. Deito no sofá e ponho-me a perguntar se as próximas gerações saberão ser menos vítimas da hiperinformação, do multitask, da internet. A gente tende a imaginar o mundo tão distópico, mas isso é porque o ser humano conhece bem a si mesmo. A existência, por si só, já é suficientemente absurda. Mágoa é um sentimento que a gente quase pode enxergar. Carrossel de guindastes. Quem sente o cheiro da sua casa são os outros. Quantas pessoas já habitaram o mundo? É possível existir fora do corpo? Fagocitose de tempo. Ao final, o que você terá feito da sua existência? A vida é massa puxada por vetores, não existe equilíbrio, apenas tensão. O melhor regalo é o epitélio. Viajo, e concluo que pensar no mal é bom, tomo uma taça de vinho, acendo um cigarro, olho pro céu.

"O seu amor não é suficiente pra mim", isso foi uma das piores coisas que já ouvi na vida.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Sobre caminhar pela tangente

Bom mesmo é dia frio acompanhado.

sábado, 14 de junho de 2014

Saturno

Esperávamos o próximo ônibus, eu e papai, na rodoviária. Apenas nós dois e como se apenas os dois no mundo, a lanchonete sem atendentes e clientes, vazia. Nós, sentados à beira do balcão, nada consumíamos, pouco conversávamos. 

Quando o primeiro ônibus estacionou no terminal, não havia nada que identificasse seu itinerário. Tratei, assim, de escrever para onde ele iria, a lápis, no letreiro frontal. O motorista, então, pronunciou-se, e disse que aquele carro não iria para onde queríamos. Teríamos de esperar o próximo. 

Voltei a sentar ao lado de papai, que do lugar não movera um dedo. E tratamos de conversar sobre um brinquedo que ele segurava, enquanto aguardávamos o próximo coletivo. Achávamos graça de sua forma, que ora parecia um caramujo, ora parecia qualquer outra coisa. Não me lembro de onde saíra aquele objeto, mas dedicamo-nos a passar o tempo especulando sobre o que seria. Era feito de plástico, o casco do caramujo preto, seu corpo num marrom muito claro. O casco mais duro que o resto, com traços quadrados, estranho para simular a forma de um animal. Devia ser mesmo outra coisa. 

Num descuido, papai cortou o dedo ao deslizá-lo sobre uma das partes mais grossas, sangrando por alguns minutos, porém, sem dar muita atenção. Papai já se feriu tanto nessa vida, que um corte bobo no dedo não faria diferença. Entretanto, deixamos o brinquedo de lado. 

Hora depois, ao anoitecer, Saturno desprendeu-se de sua órbita, passando em velocidade absurda pelo céu. Por alguns instantes, foi possível vê-lo atrás das nuvens. O céu estava verde, azul, cinza. Havia reflexos de astros desconhecidos. E, apesar de tudo, não nos assustávamos com o terrível. Era apenas um planeta fora de órbita que, misteriosamente, havia se desprendido de sua posição eterna. 

O homem nunca enviou uma sonda para Saturno. Ninguém jamais pisou lá. 

Naquela noite, concluímos que não seria necessário temer o terrível. Mesmo assim, procurando ter serenidade, por ele esperamos.


segunda-feira, 26 de maio de 2014

Pornografia também é arte

Tinha esse rapaz numa festa, vestindo fantasia de carnaval em pleno mês de maio. Tocavam uns eletrônicos, uns houses que não me agradavam tanto (depois tocou algo mais interessante). Eu passava com minha amiga e ele dizia: “E aí? Vamos dar um beijo triplo?”. Sorrimos, mas dissemos que não. Mais tarde, a mesma coisa: “E agora, vamos dar um beijo triplo?”. Recusamos novamente, mas ficamos conversando com ele. Acho que a alegoria, muito grande, não lhe dava muita mobilidade. Depois ele tirou a roupa, ficou pelado mesmo.

***

Por um instante pensei sobre a popularização do beijo triplo, mas acho que são os lugares que freqüento...

***

Lembra de quando, certa vez, entramos num táxi em direção à Lapa, e o rádio tocava O Segundo Sol, da Cássia Eller, e não dissemos nada, apenas cantamos em coro a música inteira, um coro baixinho, e terno, e o taxista até aumentou um pouquinho o som, para ouvirmos melhor? Este foi um dos momentos mais bonitos que já vivi.

Ainda há tanto pra viver.

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Estados alterados de consciência. O normal é a consciência coletiva alterada. Quem sai na rua hoje sem uma droga? Uma aspirina, um comprimido que deixa o cérebro um pouquinho mais lento, sonolento, devagar, gente que toma calmante, rivotril, ritalina, cocaína, álcool, nicotina, maconha, MD, LSD, lexotan. A produção econômica, a produção criativa, a produção do mundo é a produção da mente drogada, alterada.

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Pornografia também é arte, registra o momento do gozo, coisa tão íntima do ser humano.

Vídeos caseiros.

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Dá pra entender as pessoas que filmam suas próprias transas e publicam na internet. O que se leva deste mundo? Depois da morte, o que importa?


terça-feira, 6 de maio de 2014

lento, veloz

sete bilhões ao mesmo tempo.

eu amo as pessoas que vão fumar maconha na praça da cruz vermelha, vejo como resistência, tão singela, tão natural.

a paixão é uma coisa tão linda, o amor apaixonado, dedicar-se a alguém, precisar de alguém, sorrir porque vai encontrar alguém. felicidade.

passo pelo ponto de ônibus, mendigo deitado no chão, ao lado de rapazes arrumados indo pra balada, pessoas fazendo teste do bafômetro na lei seca, vida que segue, ônibus veloz.

as pessoas decidem ter filhos, mas isso não é decisão, isso é instinto.

semana passada, me apaixonei duas vezes.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

círculo

como se houvesse um ciclo de 7 anos,
aos 30, voltei aos 23.




querido diário,

felicidade extrema,
muito amor.
felizes sejam os encontros,
os acessos às belezas de cada um.

2 de maio, 2014

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Rio Ônibus

"Você tem sangue doce pra atrair essas maresias", disse a cobradora poeta, dirigindo-se ao motorista, depois de um louco invadir o ônibus.

visão 2014-03-22

Tocando Marina Lima, enquanto os barmen faziam coreografias e bailavam, jogando gelo no ar, alcançando com o copo por trás das costas. Um calor, um groove, em que todos pareciam cantar juntos, em coro, e riam, e cantavam e sorriam e cantavam felizes.

passagem 201404102

Você é meio feio, tem pernas grossas e sensuais, usa chuteira verde-limão e meias azuis, está voltando do treino de futebol, no ônibus 433.

Que tatuagem horrível.

passagem 201404101

É noite e fagulhas flamejantes de solda caem sobre o chão, na loja de roupas em reforma. Ao lado, uma cruz verde iluminada, no letreiro da farmácia, jaz em destaque, sóbria.

Hanna, sucesso mundial.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Emergência

O médico na emergência me mandou pro oxigênio. Mais que a sensação física, senti uma grande metáfora entrando pelas narinas.

Ar, como remédio para a angústia.


terça-feira, 8 de abril de 2014

colapso

Sinto muito.
Eu sinto tanto.

cabeça, nervos, olhos,
meu corpo lateja.

Sinto muito.
Eu sinto tanto.

estômago, esôfago.

Eu lamento.

Sobre o erro

Errar do início ao fim tem sua explicação psicanalítica. 

É possível cometer um erro através dos outros.

Perdão é coisa cristã demais, não dá certo.

Há dívidas que não podem ser pagas.

Dívida que não pode ser paga é paradoxo?

quinta-feira, 27 de março de 2014

quarta-feira

estados mentais diversos, um pra cada dia da semana. cada vez mais caótico.


banho de manhã, para acordar. banho de manhã serve mais pra fazer pensar, despertar, que pra limpar. os brasileiros somos os que mais tomam banho, os mais cheirosos, que mais gastam a pele. epitélios pelo ralo.


boto água no fogo pra fazer um chá, esqueço do tempo, até a água toda evaporar. fogo e chaleira. repito. esqueço novamente. metal estala, água evaporada. chá de erva-doce.



como as pessoas veem a tua cara? que cara eu faço? que cara eu fiz, quando vi aquele show inteiro com dor de cabeça? sozinho, letras tristes. no final, pedi uma dedicatória pro cantor, fiz isso pela primeira vez na vida. comprei o CD no final da apresentação e o disco, todo branco, pedia alguma coisa escrita em cima. "Preenche esse espaço em branco pra mim?", pedi. Umas meninas chegam no meio da conversa, convidando o cara pra ir pra um bar em frente à Comuna, ele diz que deve ir pra outro lugar. "Jean, obrigado por nos assistir. E um prazer tocar...". "Obrigado, comecei a te ouvir essa semana e estou gostando muito". "Obrigado!". "Vocês inverteram a ordem dos shows? Ontem não consegui chegar a tempo, aí voltei hoje". "É, a gente mudou, justamente pra mais pessoas poderem ver hoje...". Minha dor de cabeça e minha tristeza impediram mais diálogo.



"Merece Quem Aceita"







segunda-feira, 24 de março de 2014

vegetal

dai-me forças

*
quem será a mão, que confortará minhas costas, e me empurrará de leve, suavidade, olhar doce?

*
tenha paciência.

*
um cigarro.

*
nuvem

*
ando vegetando

*

vegetei o sábado, enraizei no domingo, morri.

*

f r a g m e n t a d o d o m i n g o

*
que tristeza, quanta tristeza, quanta dor

*
lágrimas nunca vêm.

domingo, 23 de março de 2014

perspectiva

não era calma, era só silêncio.

*
cada pessoa tem um traço, um desenho.

*
você está preso a que lugar?

*
como reage o teu corpo, quando acaba a paciência?

*
os limites de cada um.

*
como você quer ser visto?

*
uma pintura inacabada pendurada na parede da sala, há meses, diz muita coisa.

sábado, 22 de março de 2014

Alegoria da partida de futebol

Das coisas que reverberam há anos em minha mente. Era um programa de tevê ou rádio, sinceramente não lembro, e um especialista falava sobre memória, experiências, sensações, não me recordo do enunciador, guardei o mais importante, o enunciado.

Essa pessoa dizia que algumas experiências ficam guardadas na mente em sua síntese, independem do tempo - a memória registra algo como o produto final. Então deu como exemplo uma partida de futebol.

O time do coração passa o primeiro tempo inteiro perdendo. O sujeito rói as unhas, grita, chora, xinga, se desespera, tem taquicardia, reza. Acaba o primeiro tempo com o time ainda perdendo, ele vai aos prantos, e o time retorna, no segundo tempo, levando uma goleada. Entretanto, nos minutos finais, de virada, o time recupera fôlego, supera a diferença no placar e, nos últimos segundos do último tempo, faz o gol que o leva ao título, levando a torcida ao delírio.

O que o sujeito torcedor registra como sensação definitiva, ao final? A alegria, o choro da felicidade, o grito da vitória, o êxtase. E todo o sofrimento durante noventa minutos de partida parece incrivelmente anulado. E parecer pode se mais que parecer, se concretiza de fato. Apesar do sofrimento durante tanto tempo, a síntese da experiência é caracterizada pela sensação final, não porque última e sim porque mais importante.

Um dia, uma semana depois o sujeito vai lembrar do jogo como a partida da vitória. E pouco vão importar os noventa minutos de sofrimento, em sua memória. Quando lembrar da partida, terá sido uma partida (marca em sua vida) feliz.

sábado, 8 de março de 2014

fevereiro, planetas, cometas, estrelas

Os dias chegaram pesados, com uma energia tão ruim, que matou todas as plantas da casa. Por dentro, morreu um pouco de tudo. Um pouco da fé, da alegria, da beleza, da memória.

lamento
tristeza
carnaval.


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

fevereiro

Tem gente que faz mal pra saúde.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Aquário

No meio de uma felicidade repentina, perguntei-me se não era só uma fase eufórica.

Credo.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

22 de janeiro de 2014, 2

qual sua sexualidade, quando ninguém está vendo?

22 de janeiro de 2014

tem gente que diz que é hétero, mas eu não acredito.


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

12 de janeiro de 2014

Ontem eu chorei de felicidade. Foi na Pedra do Leme. Paisagem linda. Rio cinza.

Chorei e ri, sozinho.
Eu e o mar.
Eu e o céu.
Eu e a noite.

Que alegria viver.