quinta-feira, 27 de março de 2014

quarta-feira

estados mentais diversos, um pra cada dia da semana. cada vez mais caótico.


banho de manhã, para acordar. banho de manhã serve mais pra fazer pensar, despertar, que pra limpar. os brasileiros somos os que mais tomam banho, os mais cheirosos, que mais gastam a pele. epitélios pelo ralo.


boto água no fogo pra fazer um chá, esqueço do tempo, até a água toda evaporar. fogo e chaleira. repito. esqueço novamente. metal estala, água evaporada. chá de erva-doce.



como as pessoas veem a tua cara? que cara eu faço? que cara eu fiz, quando vi aquele show inteiro com dor de cabeça? sozinho, letras tristes. no final, pedi uma dedicatória pro cantor, fiz isso pela primeira vez na vida. comprei o CD no final da apresentação e o disco, todo branco, pedia alguma coisa escrita em cima. "Preenche esse espaço em branco pra mim?", pedi. Umas meninas chegam no meio da conversa, convidando o cara pra ir pra um bar em frente à Comuna, ele diz que deve ir pra outro lugar. "Jean, obrigado por nos assistir. E um prazer tocar...". "Obrigado, comecei a te ouvir essa semana e estou gostando muito". "Obrigado!". "Vocês inverteram a ordem dos shows? Ontem não consegui chegar a tempo, aí voltei hoje". "É, a gente mudou, justamente pra mais pessoas poderem ver hoje...". Minha dor de cabeça e minha tristeza impediram mais diálogo.



"Merece Quem Aceita"







segunda-feira, 24 de março de 2014

vegetal

dai-me forças

*
quem será a mão, que confortará minhas costas, e me empurrará de leve, suavidade, olhar doce?

*
tenha paciência.

*
um cigarro.

*
nuvem

*
ando vegetando

*

vegetei o sábado, enraizei no domingo, morri.

*

f r a g m e n t a d o d o m i n g o

*
que tristeza, quanta tristeza, quanta dor

*
lágrimas nunca vêm.

domingo, 23 de março de 2014

perspectiva

não era calma, era só silêncio.

*
cada pessoa tem um traço, um desenho.

*
você está preso a que lugar?

*
como reage o teu corpo, quando acaba a paciência?

*
os limites de cada um.

*
como você quer ser visto?

*
uma pintura inacabada pendurada na parede da sala, há meses, diz muita coisa.

sábado, 22 de março de 2014

Alegoria da partida de futebol

Das coisas que reverberam há anos em minha mente. Era um programa de tevê ou rádio, sinceramente não lembro, e um especialista falava sobre memória, experiências, sensações, não me recordo do enunciador, guardei o mais importante, o enunciado.

Essa pessoa dizia que algumas experiências ficam guardadas na mente em sua síntese, independem do tempo - a memória registra algo como o produto final. Então deu como exemplo uma partida de futebol.

O time do coração passa o primeiro tempo inteiro perdendo. O sujeito rói as unhas, grita, chora, xinga, se desespera, tem taquicardia, reza. Acaba o primeiro tempo com o time ainda perdendo, ele vai aos prantos, e o time retorna, no segundo tempo, levando uma goleada. Entretanto, nos minutos finais, de virada, o time recupera fôlego, supera a diferença no placar e, nos últimos segundos do último tempo, faz o gol que o leva ao título, levando a torcida ao delírio.

O que o sujeito torcedor registra como sensação definitiva, ao final? A alegria, o choro da felicidade, o grito da vitória, o êxtase. E todo o sofrimento durante noventa minutos de partida parece incrivelmente anulado. E parecer pode se mais que parecer, se concretiza de fato. Apesar do sofrimento durante tanto tempo, a síntese da experiência é caracterizada pela sensação final, não porque última e sim porque mais importante.

Um dia, uma semana depois o sujeito vai lembrar do jogo como a partida da vitória. E pouco vão importar os noventa minutos de sofrimento, em sua memória. Quando lembrar da partida, terá sido uma partida (marca em sua vida) feliz.

sábado, 8 de março de 2014

fevereiro, planetas, cometas, estrelas

Os dias chegaram pesados, com uma energia tão ruim, que matou todas as plantas da casa. Por dentro, morreu um pouco de tudo. Um pouco da fé, da alegria, da beleza, da memória.

lamento
tristeza
carnaval.