sábado, 22 de março de 2014

Alegoria da partida de futebol

Das coisas que reverberam há anos em minha mente. Era um programa de tevê ou rádio, sinceramente não lembro, e um especialista falava sobre memória, experiências, sensações, não me recordo do enunciador, guardei o mais importante, o enunciado.

Essa pessoa dizia que algumas experiências ficam guardadas na mente em sua síntese, independem do tempo - a memória registra algo como o produto final. Então deu como exemplo uma partida de futebol.

O time do coração passa o primeiro tempo inteiro perdendo. O sujeito rói as unhas, grita, chora, xinga, se desespera, tem taquicardia, reza. Acaba o primeiro tempo com o time ainda perdendo, ele vai aos prantos, e o time retorna, no segundo tempo, levando uma goleada. Entretanto, nos minutos finais, de virada, o time recupera fôlego, supera a diferença no placar e, nos últimos segundos do último tempo, faz o gol que o leva ao título, levando a torcida ao delírio.

O que o sujeito torcedor registra como sensação definitiva, ao final? A alegria, o choro da felicidade, o grito da vitória, o êxtase. E todo o sofrimento durante noventa minutos de partida parece incrivelmente anulado. E parecer pode se mais que parecer, se concretiza de fato. Apesar do sofrimento durante tanto tempo, a síntese da experiência é caracterizada pela sensação final, não porque última e sim porque mais importante.

Um dia, uma semana depois o sujeito vai lembrar do jogo como a partida da vitória. E pouco vão importar os noventa minutos de sofrimento, em sua memória. Quando lembrar da partida, terá sido uma partida (marca em sua vida) feliz.

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