segunda-feira, 26 de maio de 2014

Pornografia também é arte

Tinha esse rapaz numa festa, vestindo fantasia de carnaval em pleno mês de maio. Tocavam uns eletrônicos, uns houses que não me agradavam tanto (depois tocou algo mais interessante). Eu passava com minha amiga e ele dizia: “E aí? Vamos dar um beijo triplo?”. Sorrimos, mas dissemos que não. Mais tarde, a mesma coisa: “E agora, vamos dar um beijo triplo?”. Recusamos novamente, mas ficamos conversando com ele. Acho que a alegoria, muito grande, não lhe dava muita mobilidade. Depois ele tirou a roupa, ficou pelado mesmo.

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Por um instante pensei sobre a popularização do beijo triplo, mas acho que são os lugares que freqüento...

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Lembra de quando, certa vez, entramos num táxi em direção à Lapa, e o rádio tocava O Segundo Sol, da Cássia Eller, e não dissemos nada, apenas cantamos em coro a música inteira, um coro baixinho, e terno, e o taxista até aumentou um pouquinho o som, para ouvirmos melhor? Este foi um dos momentos mais bonitos que já vivi.

Ainda há tanto pra viver.

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Estados alterados de consciência. O normal é a consciência coletiva alterada. Quem sai na rua hoje sem uma droga? Uma aspirina, um comprimido que deixa o cérebro um pouquinho mais lento, sonolento, devagar, gente que toma calmante, rivotril, ritalina, cocaína, álcool, nicotina, maconha, MD, LSD, lexotan. A produção econômica, a produção criativa, a produção do mundo é a produção da mente drogada, alterada.

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Pornografia também é arte, registra o momento do gozo, coisa tão íntima do ser humano.

Vídeos caseiros.

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Dá pra entender as pessoas que filmam suas próprias transas e publicam na internet. O que se leva deste mundo? Depois da morte, o que importa?


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