segunda-feira, 25 de agosto de 2014

bim bom

Bate a saudade,
amor que atravessa o corpo.

Lâmina afiada,
que não machuca.

Rio de Janeiro,
Bossa Nova.
Uísque.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Pelo de gato

Dez pensamentos de uma vez, um cigarro com marca de batom. O inverno está agradabilíssimo no Rio e, pela manhã, o sol toca o lado esquerdo da minha rua. Há muitos gatinhos por aqui (refiro-me aos bichanos) e eles cochilam preguiçosos, na calçada, embaixo dos carros, entre as caixas. Sou capaz de morar nos lugares mais emblemáticos da cidade, tem até uma fábrica de Biscoito Globo por aqui.

Quase toda semana, vejo a avó no carro prateado, esperando o neto. Ela aguarda ao volante, paciente, o carro estacionado, os olhos voltados para a frente, quase austeros, quase tristes. O que será que ela pensa? Será que o passado? Ou o futuro?

A leveza viril dos moços que dançam trap no Aterro do Flamengo me deixa encantado. A sensualidade intensa, entre tragadas nos cigarros, um gole de cerveja. Este calor é sempre verão. Todos devíamos dançar para a vida, dançar para os outros, dançar para a cidade.

Uma tranquilidade aflita acontece por aqui.

Outro dia, um bichano surgiu na saída do elevador, e acompanhou-me até a porta de casa, tentou entrar, mas eu não aprecio os gatos tanto assim. Ficou do lado de fora, sem reclamar. E uma semana depois apareceu de novo, no corredor, um susto da puta que pariu. Diz o porteiro que o bicho resolveu adotar o prédio.

Tomei todas, descontroladamente, num dos jogos do Brasil, na última Copa. Na volta, abaixei pra acariciar um deles na calçada. Logo eu, que tenho pavor das bactérias da rua. Logo eu, vai entender... Vai.

Dei um soco na mesa e a cachaça que pedi pro moço voou pelos ares! Que lindo o filho do Seu Zé do bar, aliás. Quer me servir uma cachaça, sentar pra tomar um chopp, algo mais?

Cheiro de homem, pelo de homem, suvaco de homem.

Um gatinho branquinho sempre dorme sobre o capô dos carros. Esses gatos, irritantemente independentes, esquentam-se deitando sobre motor de carro. E se você vai fazer um carinhozinho tratam logo de se esquivar.

Me poupem! Prefiro dormir de conchinha.