domingo, 5 de abril de 2015

Olhaí, meu bem

Meu bem era um cara sem papas na língua. Era admirado por isso, mas um pouco rechaçado também. Eu entendo meu bem (até certo ponto). Eu bebo minha cachaça com a vista pro Cristo Redentor. Gosto, mesmo sendo ateu. Que escultura filha da puta, que prende o olhar da gente. Ter janela pro Cristo, vista pro Cristo. O Cristo tá azul, hoje, cê viu?

Meu bem era um cara foda, com alguns desvios que só o deixavam em desvantagem. Meu bem sabe falar de política, sabe falar de música, sabe falar de arte, mas é um pouco antissocial. Meu bem tinha um cheiro maravilhoso, de homem moreno, eu adorava certas perspectivas de meu bem, nunca ousei tentar aquelas posições com outros homens. Só meu bem valia a pena. Até hoje, só meu bem valeria.

Meu bem entendeu tudo errado. Você entendeu tudo errado, cara.

Caraminhola.

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