domingo, 5 de abril de 2015

Télépopmusik

Por onde você anda? Eu queria saber mais da sua vida, como aquela música do Roberto Carlos. Eu vejo pássaros, eu vejo o verde, eu penso em você. Será que você pensa em mim, como naquela música da Nana Caymmi? 

Eu sei que você curte o que eu curto, mas a gente entrou nessa situação louca, de nem se falar direito. Somos quase dois estranhos, depois de tanta intimidade, tanta vivência boa. 

Deixo meu PC no shuffle. Lembra de quando a gente concordava que música aleatória era oráculo? Nunca falamos sobre isso, mas eu sei. 

Dizem que os pássaros que voam na frente são os mais jovens. Protegem os mais velhos, menos resistentes ao vento. Como atletas que correm atrás das primeiras posições, com menos resistência ao ar, e depois, num lance, ganham as rédeas da corrida. A vida é pódio.

Aprendi que o amor é vexame. Pra amar, tem que ser humilde, aceitar fraquezas, contradições. Estou cheio delas. Fico feliz por isso. Quanto mais humano, melhor. 

Olhar de jabuticaba, olhar de buraco negro, olhar de tristeza. Toca Sufjan Stevens. Oráculo fala mesmo com a gente. Faço interpretação errada do conceito, eu sei. É que gosto tanto da palavra. Prefiro continuar usando. A vida é erro também. 

Sinto falta da sua comida, do seu devaneio, da sua cor. Da sua companhia. 

Certo dia, perdi um companheiro.  

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