terça-feira, 12 de maio de 2015

Alface, tomate


Com minutos contados, você já deu o que tinha que dar. Tento aproveitar o que ainda há em ti com vigor, semblante murcho, ranhuras negras, amanheceu na geladeira. Alface, tomate, cebola, cenoura, pimenta do reino, sal, mostarda com mel. "Comer uma prato bem grande de salada, antes da refeição principal, para levar uma vida muito saudável". Amor, aprendi.

Vinho. Sabor pegado de uma boa taça. Duas, por que não? A garrafa inteira.

Aproveitar ao máximo. Tomate está R$5,99 o quilo na feira. No mercado já chegou a R$7,99. Lembra de uma vez que quase chegou a doze reais? Fomos pegar um avião pra São Paulo levando caquis, a aeromoça fez piada, dizendo que estávamos contrabandeando a iguaria. Com bebida e jazz é bom demais. Jamie Cullum para iniciantes iniciarem, vale Norah Jones, Diana Krall. Eu gosto de Peggy Lee, Duke Ellington. Miles Davis acho um tanto hermético, conversamos pouco.

Nina Simone. Uma vez fiquei triste ao me dar conta de que nunca veria um show seu. Tristeza de verdade. Duvido que possa existir máquina do tempo. Quem sabe, no futuro, experiências sensoriais imersivas complexas, que me façam até acreditar estar em sua presença, mas ainda assim, ficção, simulação. A verdade das coisas, a verdade dos hologramas é uma verdade, inegável. Presença da ausência.