domingo, 3 de abril de 2016

o nome que sai da minha boca quando fraco eu vejo por dentro de mim

senti no peito vazio cheio de sentimentos, aperto semelhante à angustia, apenas parecido, não era. amor absurdamente intenso e vontade de enviar pelo telefone uma mensagem: eu te amo tanto. e mesmo tomado pela euforia concentrada entre os pulmões, racionalizei e guardei a mensagem para mim.

ao lado, um querido amigo. fazia muito frio em Paris. o dia amanhecia sem que tivéssemos dormido, assistíamos a coisas antigas, Gillian Hills cantando Zou Bisou Bisou e músicas da Françoise Hardy.

há homens que são como pássaros, sazonais, fogem do frio, vivem a cada temporada em outro hemisfério; tem homens que chegam nos lugares como um tubarão, alguns tomados pelo ciúme, alguns tomados por coisas que não sabemos o que são. um cara na internet leu um poema dedicado a uma águia, mas eu não entendi nada daquela língua, só achei bonito.

tatuagem no pescoço, um guindaste içando outro guindaste, os pássaros das famílias das harpias, as vezes em que você bebeu suor de homens, as vezes em que você quis mais, se entregou, esteve indefeso. desarmar-se completamente também é um ato necessário para viver melhor, fraquejar, deixar que te protejam.

discurso é construção coletiva. quem foram as pessoas que compartilharam direitinho um pouco do seu campo semântico? estar em sintonia é tão bom.

encontro cada vez mais gente com dois ou três namorados, namoradas. mais relações sem nome, sem a limitação do nome. a vida segue mais e mais veloz, o rio de janeiro transmutando-se para inferno completo. eu quero sair daqui, eu quero andar na rua sem ter que pensar se serei ou não assaltado, esfaqueado.

cristo redentor de braços abertos, chá de cidreira em copo de uísque, cigarros que matam e não acalmam. ainda sou capaz de ficar impressionado com o grau de drogadição das elites. o rio é uma cidade de bolhas, qual a força do seu sobrenome? louça e filosofia, máquina de lavar e filosofia, tomar banho e filosofia, água.

em paris, angústia. dois copos gigantes de chá, pra esquentar e acalmar.

chorar, para mim, é algo tão difícil.


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