terça-feira, 12 de julho de 2016

faz calor em pleno inverno no rio de janeiro, é assim mesmo, mas reclamar é essencial pra passar a vida

tesão, às vezes, se perde de repente. tipo o pau sobe hoje, amanhã sente até asco. ser humano é assim.

o parque de diversões perto de casa tinha um brinquedo novo, tipo aquelas barcas, mas as pessoas ficavam içadas por uma máquina doida, todo mundo dentro de um saco, que balançava no ar. vovó foi até a varanda pra ver. Juliano postou no snap a interação entre a velha e o parque. avó intrigada. o parapeito estava perigoso, já tinham falado outro dia. mas esqueceram. grade meio solta. vovó apoiou e o que tinham especulado um dia aconteceu. grade rompida. ela se espatifou lá embaixo, entre o estacionamento e o playground do prédio. Juliano correu pros pais na cozinha, mas não conseguiu falar nada. sentiu um calafrio imenso no corpo inteiro, o coração disparou como se fosse romper o peito.

peça de teatro. não gravei fala nenhuma, deixei pra estudar tudo na hora, encenar os textos no palco depois de uma leitura breve das falas, dos diálogos. pegaria a ideia de cada frase, o resto, se não lembrasse, falaria com meu corpo, minhas palavras, meu improviso. karina buhr

Kauã é um menino da Vila do João que roubou um livro pensando que era celular. Vida desgraçada. Meter a mão pela janela do ônibus e agarrar o que puder. jogou o livro fora. Letícia, livro roubado, não conseguiu acreditar naquilo. Sentiu raiva e chorou até o fim da viagem. Roubarem um livro assim. Vida desgraçada.

A modalidade em ascensão no Rio de Janeiro é roubo de ônibus. Ladrões entram armados e roubam quem conseguem. Por alguns momentos, é sequestro mesmo. Impedem o motorista de parar nos pontos e só descem depois de satisfeitos. Vida desgraçada. Falta tudo em serviço público. Limpeza na Uerj, pagamento pra funcionário público de toda espécie, professor, insumos no IML. Mas para as olimpíadas tem milhões. A cidade, na verdade, não serve nem pra turista. Porque eles são esfaqueados perto do Largo de São Francisco, na Praça Paris, têm que pular esgoto, dar de cara com ladrão disfarçado de taxista.

O Rio de Janeiro, o Brasil é dos empresários. Das construtoras. O concreto manda na política. Constrói aí um teleférico, uma estrada inútil, uma ponte pra passar o BRT que vai pro aeroporto. Manda porcentagem pra político, se nóis for preso, depois é solto. Diz que falta tornozeleira eletrônica, que o resto a lei favorece, porque todos são iguais, mas uns são mais iguais que os outros.

Vida desgraçada. É golpe.

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