sexta-feira, 25 de maio de 2018

quatro

eu vou tentar escrever aqui rapidinho,
ou sei lá, no impulso,
porque eu não sei quem você é

você é um, é dois, é três?
você é mais de um?
você é o agora?

você é a memória do passado ou você é o homem ideal?
você é o agora, o ideal que eu projeto sobre aquele cara?
será que você vai me dar bola?
eu vou te conquistar?

eu adoro uma conquista,
eu ficava no Bar da Cachaça com minha amiga Dani querendo conquistar os caras,
a gente tinha umas táticas
e aplicava
e levava uns homens pra cama

depois a gente avaliava,
se arrependia de uns,
achava legal outros.

acho que a gente mais fez avaliação ruim do que boa,
bom mesmo, olhando agora,
era mesmo o rolê!

um certo dia eu fui pro Aterro do Flamengo e levei um livro amarelo de 800 páginas sobre política e filosofia para governantes, que eu não li, e a Dani ficou me zoando,
e lembra disso até hoje.
nem eu sei porque eu levei aquele livro que não ia ler.

é meio que minha forma de levar comigo o desejo de querer ler,
que às vezes não consigo praticar de jeito nenhum.

deve ser porque eu acabei virando workaholic e fico esgotado nas horas vagas,
não exatamente por vontade minha, eu acho,
mas porque as circunstâncias fizeram assim.

no fundo, é osso.
eu ralei bastante pra chegar aqui.
neste lugar.
neste lugar?
este lugar.

eu bebo uísque,
eu não tenho uma banheira,
agora eu tenho uma samambaia,
e uma planta que minha mãe me deu.

no vaso veio uma planta cheirosa que ela disse que é tempero, mas acho que está morrendo.

talvez você seja uma idealização,
ou fruto da carência.

mas eu tô com vontade de beijar sua boca geladinha, 
ficar preso em tuas pernas, 
provar de novo teu beijo curto, 
dormir junto e pouco falar,


talvez você seja a representação de três.

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