sexta-feira, 25 de maio de 2018

nome português que parece de portugal, mas é da Espanha

eu me senti exausto no dia em que te conheci.
eu subi nas nuvens,
senti cheiro de enxofre,
acordei quatro horas da manhã pra subir um monte de neve com uma galera do hemisfério norte e também do sul que eu nem conhecia,
pra escalar um vulcão.

de noite, você estava lá,
numa van cheia de mulheres espanholas,
eu acho que nós dois éramos os únicos caras.
eu estava exausto,
tinha subido o vulcão e a van passou no meu hostel pra me levar pra excursão das águas calientes noturnas. diziam que relaxava. era ideal pra quem tivesse subido o vulcão cheio de neve, onde os pés afundavam e depois a gente descia escorregando numa prancha. pra subir, tão devagar, pra descer, tão rápido

eu tirei os óculos pra entrar na água e quando você veio falar comigo de novo eu não percebi que era tu,
me apresentei novamente,
e nem me toquei que você estava a fim.

eu dormi em cima de uma pedra.
a metade do corpo dentro de água de uns 35 graus.
a metade pra fora um frio de 7, ou 6.
sobre o que a gente falou?

depois, quando entramos de volta na van,
você sentou ao meu lado, ou eu sentei do lado teu.
eu resolvi te mostrar umas fotos do resto da viagem e você colocou a mão embaixo da minha, como quem quer ajustar melhor a inclinação do celular pra ver melhor.

naquele momento, eu percebi.
depois eu pedi teu telefone, teu nome no Facebook.
eu nem usava barba e você falou que meu cabelo tinha cachos que davam sete voltas.
eu fiquei empolgado de te ver, mas fui pro deserto,
frio de menos dezenove graus.
eu fui pra Bolívia e teve uma noite que era muito difícil dormir e respirar. o tecido do meu cobertor tinha umas reações físicas sei lá que faziam o tecido brilhar, soltar umas faíscas. eu pensei até se estava delirando.

o seu quarto tinha parede de vidros e ficava de frente para a Cordilheira dos Andes,
coisa mais linda, que amor eu senti!

nuns dias daqueles eu senti vontade de chorar. estava bebendo os melhores vinhos, eu cozinhei com desconhecidos, uma família inteira. quase chorei na beira de uma piscina,
eu agradeci pela vida,
eu passeei de barco pelo Pacífico e vi uns leões marinhos.

a sua memória se mistura com a beleza da natureza,
a sua barba me deixava arranhado,
a tua paixão, uma coisa louca.

eu cheguei na tua casa, você estava de moletom verde,
fazendo macarrão,
eu tirei uma foto
e a gente se beijou.

naquele dia você me mandou tantas mensagens no celular que eu fui ficando impaciente,
mas depois deu tudo mais que certo.
a gente se amou,
você veio pro Brasil.

a gente se bronzeou em Paraty.

eu nem curti a fogueira, porque fiquei chapado demais no Réveillon e a gente foi dormir naquela barraca de camping que quando dava 7 horas da manhã fazia 50 graus!

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